António Mexia, CEO da EDP, não confirma uma redução do preço da electricidade. «Os preços da energia continuam a ser ditados pelo mercado» e «a palavra-chave é sustentabilidade», disse Mexia, que falava em conferência de imprensa, após uma audiência com o Presidente da República onde foi analisado o impacto da Covid-19.
«O caso da EDP é muito caso. Nós dissemo-lo ainda a semana passada: vamos manter todo o investimento previsto para Portugal, todas as contratações e todos os compromissos com a cadeia de valor, para permitir arrancar o mais rápido possível», referiu, sublinhando que a EDP é «a maior empresa portuguesa e o maior investidor em Portugal». «Esse compromisso nós assumimo-lo desde a primeira hora, na linha da frente também na área da saúde, mas sobretudo naquilo que é a nossa função no sector da energia como motor da economia», frisou António Mexia.
Questionado sobre um eventual ajuste da tarifa de electricidade, o CEO da EDP salientou que «o preço é ditado num mercado em concorrência». «Nós faremos aquilo que é necessário para ser competitivos», garantiu.
«Estruturalmente, havia já um impacto muito positivo das energias renováveis. Neste momento, temos também uma descida histórica no mercado do petróleo. Ambos os elementos contribuirão com certeza para a descida do preço da energia eléctrica a prazo, de uma força sustentada. A palavra-chave é sustentabilidade num mundo novo, em que obviamente tem de haver um equilíbrio entre o homem e a natureza, mas obviamente uma sociedade mais competitiva», acrescentou.
Sobre o valor que estima para essa baixa, o CEO da EDP fez notar que, «quando houve agora uma mudança nos preços de três por cento, a EDP tinha já no ar campanhas dirigidas a quem mais precisa, reduções entre quatro, cinco e mesmo 10 por cento. E, por isso, nós seguiremos sendo uma entidade competitiva que quer, acima de tudo, continuar a liderar este mercado, ser a marca favorita dos portugueses nesta área e tudo faremos para aproveitar estes momentos».
«Todos nós sentimos a urgência da recuperação. Todos nós temos pressa em poder contribuir para que ela seja rápida e que tenha o maior impacto possível no maior número de pessoas», apontou, deixando um elogio ao país: «Portugal reagiu bem». É, contudo, «essencial que a liquidez e todas as condições de apoios sejam rápidas a chegar aos sítios certos, às empresas e às famílias que foram afectadas».
Já a Europa, «penso que pode e deve fazer melhor», considerou. António Mexia lembrou que «aquilo que pode estar em causa – e que já foi referido pelo primeiro-ministro e espero que se confirme – são volumes de investimento nunca alcançados. E se soubermos aproveitar este momento, nós e a Europa estaremos todos melhor. Mas a decisão ainda está por fazer».
António Mexia nega pedido de resgate à EDP por hackers
Sobre o ataque informático à eléctrica, no passado dia 13 de Abril, assegurou: «Desde a primeira hora garantimos aquilo que é o funcionamento do sistema eléctrico, nunca estando em causa aquilo que é a nossa função básica: electricidade para as pessoas. Para as famílias e empresas». António Mexia confirmou ainda que «não houve acesso a dados privilegiados dos nossos clientes» e que, mesmo hoje, a EDP recebia a notícia de que «aquilo que existe são informações muito genéricas e que não afectaram nem a privacidade, nem aquilo que seja a condução dos nossos negócios».
Confrontado com o pedido de resgate no valor de 10 milhões de euros, Mexia negou que a EDP tenha recebido algum «pedido formal». «Nunca foi pago, nem seria pago qualquer valor», vincou.
*Notícia actualizada às 18:34














