“Preço do leite pode subir até 10 cêntimos por litro”, avisa responsável do sector

Idalino Leão, presidente da Agros, garantiu que se não houver adaptação dos preços pode vir a faltar leite nacional nas prateleiras

Francisco Laranjeira
Agosto 31, 2022
12:57

Os portugueses vão ter de pagar mais pelo leite que consomem, garantiu esta quarta-feira Idalino Leão, presidente da Agros, em entrevista à rádio ‘Renascença’: os preços já subiram 11% no espaço de um ano mas vão continuar a aumentar. Mas há mais: “Pode faltar leite nacional nas prateleiras”, alertou o responsável, que garantiu que se nada for feito, o processo de desaparecimento do sector leiteiro em Portugal pode ser uma realidade a curto/médio prazo.

“O preço do litro de leite, que dá para alimentar uma família média de quatro pessoas por dia, é mais barato do que um café. E, em média, os portugueses tomam dois ou três cafés por dia. Eu acho que isso nos devia fazer pensar a todos”, precisou o responsável, que avançou números desanimadores. “Neste momento, é mais caro em cerca de 50% produzir um litro de leite do que era no período homólogo [antes da invasão da Ucrânia pela Rússia]. O preço do leite subiu à volta de 18 a 20%. Temos aqui um défice que não foi colmatado e obviamente que o preço do leite vai ter de subir ao produtor de forma a ser sustentável”, explicou o responsável da Agros, união de cooperativas leiteiras e o rosto de 44 cooperativas de Entre o Douro, Minho e Trás-os-Montes, com aproximadamente 900 produtores de leite – perdeu 300 explorações nos últimos dois anos.

“O paradigma do leite barato, excessivamente barato ao consumidor, acabou. Não há forma de dizer isto doutra forma. Acabou”, revelou.

“Quando falamos de um aumento de custos do leite ao consumidor, estamos a falar de entre 7 e 10 cêntimos por litro. Não estamos a falar de nenhuma enormidade. Neste momento é preciso o preço subir mais, de forma a ser possível suster estes custos brutais que estamos a ter, por exemplo aqueles que são fixos e associados à energia. É uma das grandes batalhas junto à nossa tutela, de que é importante que haja aqui pelo um equilíbrio ibérico, porque o mercado é no mínimo ibérico, e não se percebe como é que os custos fixos associados, nomeadamente ao gasóleo agrícola, têm o diferencial entre Portugal e Espanha na casa de quase 30 cêntimos”, finalizou Idalino Leão.

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