Preço do cabaz recua, mas há alimentos a subir até 13% numa semana: saiba o que ficou mais caro

Em janeiro, era possível comprar os mesmos produtos por menos 14,64 euros, o que significa que o cabaz está agora 6,05% mais caro

Executive Digest

O preço do cabaz alimentar monitorizado pela DECO PROteste voltou a descer ligeiramente, depois da subida registada na semana anterior. Entre 8 e 15 de julho, o conjunto de 63 produtos essenciais recuou 25 cêntimos, passando de 256,71 para 256,46 euros.

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A descida de 0,10% está longe de compensar os aumentos acumulados desde o início do ano. Em janeiro, era possível comprar os mesmos produtos por menos 14,64 euros, o que significa que o cabaz está agora 6,05% mais caro.

Há um ano, o mesmo conjunto de bens custava menos 10,67 euros, uma diferença de 4,34%. Comparativamente com janeiro de 2022, quando a DECO PROteste iniciou esta monitorização, os consumidores pagam agora mais 68,76 euros, o equivalente a um aumento de 36,63% sobre o valor inicial — ou uma diferença de 39,66% quando calculada em relação ao preço de 2022.

Flocos de cereais, esparguete e arroz foram os produtos que mais subiram numa semana

Apesar da ligeira descida do valor total do cabaz, vários produtos alimentares registaram aumentos relevantes nos últimos dias. Entre 8 e 15 de julho, os flocos de cereais lideraram as subidas percentuais, ao encarecerem 13% numa semana.

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Este produto passou a custar 2,76 euros. A massa esparguete subiu 10%, para 1,17 euros, enquanto o arroz agulha ficou 6% mais caro, atingindo os 1,64 euros.

Os dados mostram que a redução global do cabaz não significa uma descida generalizada dos preços. As variações semanais continuam a ser significativas em diferentes categorias, com alguns produtos a encarecerem ao mesmo tempo que outros recuam.

Couve-coração, bacalhau e robalo destacam-se na comparação anual

Quando a comparação é feita com o mesmo período do ano passado, a couve-coração apresenta uma das maiores subidas. O preço aumentou 24%, para 1,76 euros.

O bacalhau graúdo e o robalo encareceram ambos 21%. O bacalhau custa atualmente 19,45 euros por quilograma, enquanto o robalo atingiu os 10,30 euros por quilograma.

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Na semana anterior, a 8 de julho, o cabaz tinha subido 3,08 euros, o equivalente a 1,21%, depois da descida observada no início do mês. Nessa altura, os brócolos tinham encarecido 13%, o tomate chucha 12% e a farinha para bolos e a polpa de tomate 9%.

A redução de 25 cêntimos agora registada anula, por isso, apenas uma pequena parte do aumento da semana anterior.

Carne de novilho mais do que duplicou desde 2022

Desde 5 de janeiro de 2022, a carne de novilho para cozer continua a ser o produto com o maior aumento percentual entre os bens analisados pela DECO PROteste.

Em pouco mais de quatro anos e meio, o preço subiu 126%, atingindo os 13,13 euros por quilograma. Isto significa que o custo mais do que duplicou desde o início da monitorização.

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O bacalhau graúdo surge em segundo lugar, com um aumento acumulado de 84% e um preço atual de 19,45 euros por quilograma.

Os ovos completam o grupo dos produtos que mais encareceram, com uma subida de 82% desde janeiro de 2022. Custam atualmente 2,07 euros por embalagem analisada pela associação.

Conflito no Médio Oriente e fertilizantes pressionam preços

A evolução recente dos preços alimentares tem sido influenciada por vários fatores externos. As negociações para estabilizar o conflito entre os Estados Unidos e o Irão e a reabertura do Estreito de Ormuz trouxeram algum alívio às cadeias de abastecimento, mas a região continua a representar um risco para os mercados de energia e de matérias-primas.

Nos últimos meses, a instabilidade no Médio Oriente pressionou os preços dos combustíveis e da energia, custos que se refletem na produção agrícola, no transporte e na distribuição dos alimentos.

A este impacto somam-se os prejuízos causados pelas tempestades de janeiro e fevereiro em Portugal, cujos efeitos poderão ainda não estar totalmente refletidos nos preços pagos pelos consumidores, bem como o aumento dos custos dos fertilizantes utilizados na agricultura.

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Alguns dos principais produtores de fertilizantes e das matérias-primas necessárias ao seu fabrico encontram-se no Médio Oriente. Uma parte relevante destas mercadorias é transportada através do Estreito de Ormuz, pelo que qualquer perturbação na região pode tornar a produção alimentar mais cara.

Como é calculado o cabaz alimentar da DECO PROteste

Desde janeiro de 2022, a DECO PROteste acompanha semanalmente a evolução dos preços de um conjunto de bens alimentares considerados essenciais.

O cabaz inclui 63 produtos das categorias de carne, peixe, congelados, fruta e legumes, laticínios e mercearia. Entre os bens analisados encontram-se peru, frango, carapau, pescada, cebola, batata, cenoura, banana, maçã, arroz, esparguete, açúcar, leite, queijo e manteiga.

Todas as quartas-feiras, a organização calcula o custo total do cabaz com base nos preços recolhidos no dia anterior nos principais supermercados com loja online.

Primeiro é apurado o preço médio de cada produto em todas as lojas onde se encontra disponível. A soma desses valores permite calcular o custo total do cabaz em cada semana.

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Guerra na Ucrânia agravou custos desde 2022

A subida dos preços alimentares nos últimos quatro anos resulta de vários fatores. A invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, pressionou o setor agroalimentar, devido ao peso dos dois países na produção e exportação de cereais, óleos vegetais e fertilizantes.

O setor já enfrentava, nessa altura, os efeitos da pandemia de covid-19 e da seca em Portugal. A redução da oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção, sobretudo da energia, dos transportes e dos fertilizantes, chegaram depois aos preços pagos pelos consumidores.

Produtos como carne, hortofrutícolas, cereais de pequeno-almoço e óleos alimentares estiveram entre os mais afetados por este contexto.

A evolução acumulada do cabaz traduz esse impacto. Desde janeiro de 2022, o custo dos 63 produtos aumentou 68,76 euros, passando de cerca de 187,70 para 256,46 euros.

IVA zero travou preços no início, mas efeito perdeu força

Perante a forte subida dos preços, o Governo aplicou, em abril de 2023, uma isenção temporária de IVA a um cabaz com mais de 40 alimentos.

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Numa fase inicial, a medida ajudou a limitar o aumento dos preços. Contudo, o efeito foi perdendo força ao longo dos meses e o custo do cabaz alimentar voltou a subir.

Em 2024, após a reposição do imposto, vários produtos continuaram a encarecer. O azeite virgem extra atingiu nesse ano um dos valores mais elevados da série acompanhada pela associação.

Em 2025, as maiores pressões fizeram-se sentir sobretudo nos ovos, no café torrado moído e no chocolate. Em 2026, as subidas acumuladas abrangem novamente diferentes categorias, com destaque para produtos como arroz, peixe, carne e hortícolas.

Inflação abrandou para 3,2% em junho

Os aumentos sucessivos dos preços ao consumidor contribuíram para elevar a inflação para níveis históricos em 2022 e 2023.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística, a taxa média de inflação fixou-se em 2,3% em 2025, abaixo dos 2,4% registados em 2024.

Em maio de 2026, a inflação atingiu 3,3%. Em junho, de acordo com a estimativa do INE, terá abrandado ligeiramente para 3,2%.

A redução semanal de 25 cêntimos no cabaz alimentar representa um pequeno alívio, mas o valor continua próximo dos máximos da série e 14,64 euros acima do registado no início do ano.

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