Desde o início do conflito na Ucrânia que o preço dos alimentos tem registado uma subida constante e esta semana não foi exceção. A análide da DECO Proteste ao cabaz de bens alimentares essenciais registou um aumento ligeiro de 0,2% (mais 40 cêntimos) na última semana, passando agora a custar um total de 210,83 euros.
“Os aumentos têm-se feito sentir em todas as categorias alimentares, e são, sobretudo, a carne e o peixe os que mais têm visto os seus preços subir”, apontou a associação de consumidores.
Segundo o organismo, “entre 23 de fevereiro e 5 de outubro, o peixe já registou um aumento de 18,99% (mais 11,45 euros). Fazendo as contas a apenas um quilo de salmão, de pescada, de carapau, de peixe-espada-preto, de robalo, de dourada, de perca e de bacalhau, o consumidor pode ter de gastar, em média, 71,76 euros. A carne, por sua vez, aumentou 17,6% (mais 5,67 euros). Para comprar um quilo de lombo de porco, de frango, de febras de porco, de costeletas do lombo de porco, de bifes de peru, de carne de novilho para cozer e de perna de peru, o gasto pode agora ser, em média, de 37,92 euros”.
A associação de defesa do consumidor tem monitorizado todas as semanas os preços de um cabaz de 63 produtos alimentares essenciais que inclui bens como peru, frango, pescada, carapau, cebola, batata, cenoura, banana, maçã, laranja, arroz, esparguete, açúcar, fiambre, leite, queijo e manteiga.
Entre os dias 28 de setembro e 5 de outubro, os dez produtos com maiores subidas de preço foram a polpa de tomate (mais 9%), a curgete (mais 8%), o esparguete (mais 7%), a cebola (mais 7%), o peixe-espada-preto (mais 6%), a alface frisada (mais 6%), o café torrado moído (mais 4%), o bacalhau (mais 4%), o atum posta em óleo vegetal (mais 4%) e os cereais integrais (mais 3 por cento).
Desde 23 de fevereiro, em que a DECO iniciou a análise, um dia antes da invasão da Ucrânia pela Rússia, o preço do mesmo cabaz já registou um aumento de 14,82%, custando esta semana mais 27,2 euros do que custava no final de fevereiro.
“O peixe (mais 18,99%) e a carne (mais 17,6%) são as que mais de destacam no período analisado pela DECO Proteste, mas a fruta e os legumes (mais 15,56%), os laticínios (mais 11,09%), a mercearia (mais 10,43%) e os congelados (mais 5,33%) também têm sofrido aumentos.
“Já os dez produtos que mais viram o seu preço aumentar entre 23 de fevereiro e 5 de outubro foram a pescada fresca (mais 64%), os brócolos (mais 48%), a couve-coração (mais 42%), o frango inteiro (mais 32%), o bife de peru (mais 30%), a polpa de tomate (mais 28%), a bolacha maria (mais 27%), a farinha para bolos (mais 24%), a dourada (mais 22%) e os cereais integrais (mais 21 por cento).”
A associação explica que este aumento se deve ao facto de Portugal estar “altamente dependente dos mercados externos para garantir o abastecimento dos cereais necessários ao consumo interno”, que “representam atualmente apenas 3,5% da produção agrícola nacional: sobretudo milho (56%), trigo (19%) e arroz (16%).
“E se no início da década de 90 a autossuficiência em cereais rondava os 50%, atualmente, o valor não ultrapassa os 19,4%, uma das percentagens mais baixas do mundo e que obriga o País a importar cerca de 80% dos cereais que consome”, acrescenta a Deco.
O organismo esclarece que “a invasão da Rússia à Ucrânia, de onde provém grande parte dos cereais consumidos na União Europeia, e em Portugal, veio, por isso, pressionar ainda mais um setor há meses a braços com as consequências de uma pandemia e de uma seca com forte impacto na produção e na criação de stocks”.
“A limitação da oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção, nomeadamente da energia, necessária à produção agroalimentar, podem, por isso, estar a refletir-se num incremento dos preços nos mercados internacionais e, consequentemente, nos preços ao consumidor”, sublinha.







