Os preços dos alimentos já vão dando algumas mostras de ligeiras descidas, segundo as últimas análises da Deco ao cabal alimentar básico mas, numa altura em que o IVA zero em alguns alimentos essenciais, proposto pelo Governo, foi já aprovado na Assembleia da República, os produtores de carne alertam que o preço destes produtos vai aumentar em breve.
O aviso é da presidente da Associação Portuguesa dos Industriais de Carne, que explica as razões em entrevista à SIC.
Para além dos sucessivos aumentos dos custos de produção, também a falta de veterinários nos matadouro tem causado atrasos. “Tivemos o problema das energias, o problema da inspeção, com os matadouros manietados pelo Governo porque não podem trabalhar quando querem”, anumera Graça Mariano, apontando ainda as questões “do preço da matéria-prima” e das doenças que assolam várias espécies animais na europa (como a peste suína ou a gripe das aves), que fazem “reduzir a oferta de carne” e, consequentemente causam a subida de preços.
“A tendência é aumentarem mais, têm vindo sempre a aumentar”, considera a responsável, dizendo que o aumento dos preços finais para o consumidor é inevitável.
“Se o preço da carne não subir vamos ter complicações gravíssimas”, avisa Graça Mariano.
A presidente da Associação Portuguesa dos Industriais de Carne diz que a medida de IVA zero do Governo é “uma manobra política para fazer subir sondagens”, assegurando que não vai ter efeito prático no preço do cabaz alimentar.
A responsável aponta mais culpas ao Governo, queixando-se das elevadas taxas de imposto a que são sujeitos alguns produtos de carne, ao contrário do que se verifica noutros países europeus.
“Portugal tem uma diferença abismal: o IVA dos produtos cárnicos em Portugal é 4 ou 5 vezes acima. Em França, para enchidos, é 5,5%, Portugal tem 23% e não foi reduzido. Outros Estados-membros na UE não fazem diferença entre carne fresca e produtos cárnicos, têm o mesmo valor [de IVA]”, explica.
A associação acusa o Ministério da Agricultura de falta de ação e exige respostas urgentes para o setor.














