“Precisamos de confiar”: Luís Montenegro agradece “bravura” no combate aos fogos e admite “momentos de descoordenação momentânea”

O primeiro-ministro Luís Montenegro deixou esta segunda-feira palavras de reconhecimento e confiança às forças no terreno no combate aos incêndios florestais, sublinhando a “bravura” de bombeiros, forças de segurança, autarcas e populações que, em condições meteorológicas extremas, enfrentam dias de enorme pressão e sofrimento.

Pedro Gonçalves
Agosto 18, 2025
13:22

O primeiro-ministro Luís Montenegro deixou esta segunda-feira palavras de reconhecimento e confiança às forças no terreno no combate aos incêndios florestais, sublinhando a “bravura” de bombeiros, forças de segurança, autarcas e populações que, em condições meteorológicas extremas, enfrentam dias de enorme pressão e sofrimento.

“Quero deixar um reconhecimento da bravura de quem está no terreno. Estamos a viver 24 dias seguidos de severidade meteorológica como não há registo no país. São dias e dias de sofrimento, de terror em muitos casos, e é preciso manter discernimento para com os que estão a lutar pela nossa segurança”, afirmou o chefe do Governo.

Montenegro destacou ainda a forma como as comunidades locais se têm envolvido na defesa dos seus bens e na ajuda mútua. “As populações têm sido heroicas, na defesa do seu património e na solidariedade”, frisou.

O primeiro-ministro lembrou a complexidade da coordenação das operações, apelando à compreensão da população. “É necessário que todos tenham noção de que há uma cadeia de comando, e forças que estão consecutivamente a ser chamadas para operações em vários locais, ao mesmo tempo, com períodos de descanso que se vão acumulando”, salientou.

Montenegro sublinhou que é preciso reconhecer o esforço não apenas dos operacionais destacados para os grandes teatros de operações, mas também de quem trava diariamente pequenas ignições: “Temos de olhar para os que estão nos teatros de operações mais complexos, mas não esquecer os outros que estão a evitar novas ignições, ou que se propaguem. Precisamos de confiar. Deixo uma palavra de confiança. Temos de confiar nos nossos bombeiros, nas forças de segurança, na GNR, nas Forças Armadas, nos autarcas, nos sapadores…”.

Reconhecendo que “em momentos de crise e tragédia há sempre uma irritação e descoordenação momentânea”, o primeiro-ministro garantiu, no entanto, que “está a ser dado o máximo, por toda a gente”.

Estado de prontidão no nível máximo
As declarações de Luís Montenegro ocorreram pouco depois de comandante nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), Mário Silvestre, anunciar a manutenção do estado especial de prontidão no nível 4 até quarta-feira. A declaração de alerta também se prolonga até 20 de agosto.

No balanço realizado ao meio-dia, Silvestre informou que durante as últimas horas tinham sido registadas 17 ocorrências, dez das quais no período noturno, com maior incidência no norte do país, nomeadamente no Tâmega e Sousa e no Alto Minho.

Entre os incêndios ativos, os que mais preocupam estão localizados em Piódão (Arganil, já alastrado para Covilhã e Fundão), Poiares, Aldeia de Santo António (Sabugal), Vale Verde (Mirandela) e Vilarinho (Tarouca). O de Piódão é o que mobiliza maior número de operacionais, num combate que o comandante classificou como “extremamente difícil devido aos ventos e à dificuldade de acessos”.

Atualmente, estão envolvidos 3.708 operacionais nas diferentes ocorrências ativas e em resolução.

Mário Silvestre reforçou ainda o alerta à população: “Continuamos a dizer: não usem fogo nem pratiquem qualquer atividade que possa resultar em incêndio. Reforço a necessidade de se manterem em segurança e não se aproximarem das frentes de fogo”.

O responsável reconheceu a existência de “erros pontuais” de comunicação, mas rejeitou categoricamente qualquer alegação de falhas no combate.

Já Luís Montenegro concluiu sublinhando que este é um momento que exige união: “Este é um tempo onde estamos concentrados e mobilizados no combate e para dar as respostas mais imediatas”.

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