A um dia do fim do prazo definido para a classificação dos exames nacionais do 11.º e 12.º anos, persistem os constrangimentos no processo de correção, com professores a denunciarem que continuam a receber novos itens para avaliar e que alguns docentes foram convocados durante o fim de semana para integrarem, à última hora, as equipas de classificadores. A situação está a aumentar a pressão sobre os profissionais, numa altura em que o prazo para concluir o trabalho termina esta terça-feira, 14 de julho.
Ao Diário de Notícias (DN), Cristina Mota, porta-voz da Missão Escola Pública (MEP), acusa o Governo de querer garantir que as pautas sejam divulgadas dentro do calendário previsto “a qualquer custo”. A responsável afirma que continuam por resolver vários problemas técnicos, incluindo folhas de continuação em falta, provas que ainda não foram carregadas na plataforma e perguntas repetidas já classificadas. A MEP alerta que estas falhas podem comprometer o rigor da avaliação e garante que alguns professores receberam convocatórias durante o fim de semana, por escrito ou por telefone, para passarem a desempenhar funções de classificadores. Um dos casos relatados refere-se a um docente que terá recebido 190 itens para corrigir até ao fim do prazo.
A Missão Escola Pública sustenta que muitos professores não conseguem organizar o trabalho, uma vez que desconhecem quando deixarão de receber novas respostas para corrigir. De acordo com Cristina Mota, o botão “finalizar” da plataforma deixou de estar disponível, obrigando os docentes a consultar constantemente o sistema. A porta-voz admite ainda que, caso persistam problemas por resolver no final do prazo, alguns classificadores poderão optar por não submeter as notas por considerarem que estas não refletem corretamente o desempenho dos alunos, devido à existência de folhas em falta ou trocadas. A MEP defende igualmente o adiamento da segunda fase dos exames para setembro e considera que, se os constrangimentos se mantiverem, o prazo de correção deverá ser prolongado, sublinhando que “as questões políticas não se podem sobrepor ao rigor das avaliações externas”. O movimento manifesta também reservas quanto à fiabilidade da classificação automática das perguntas de escolha múltipla, tendo em conta os problemas registados na plataforma.
Também Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), considera que está em curso um esforço de “tudo por tudo” para cumprir o calendário assumido pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação, mas questiona a ausência de critérios na distribuição contínua de novos itens aos classificadores. O responsável lamenta ainda que os docentes mais rápidos estejam a ser penalizados com mais trabalho e defende que as horas extraordinárias anunciadas pelo Governo sejam pagas aos cerca de 11 mil classificadores. Apesar das dificuldades, assegura que os professores manterão o rigor das avaliações, embora reconheça existir uma “grande desconfiança” na comunidade educativa relativamente ao processo. Sobre a divulgação das classificações, prevista para 17 de julho, mantém a prudência: “É ver para crer”, afirmando que o essencial é evitar que sejam divulgadas pautas que possam prejudicar alunos.
Além das dúvidas sobre a conclusão da correção, Filinto Lima pede esclarecimentos ao Ministério da Educação sobre a forma como os alunos terão acesso às provas de exame, nomeadamente se poderão consultar a totalidade da prova ou apenas as respostas classificadas e qual será o papel das escolas nesse processo. O Diário de Notícias refere que solicitou esclarecimentos ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação, mas, até ao fecho da edição, não tinha recebido qualquer resposta.














