Praias da Costa da Caparica condicionadas até junho: reposição de areia arranca hoje

Arranca esta segunda-feira a operação de alimentação artificial de areia nas praias urbanas da Costa da Caparica, no concelho de Almada, numa intervenção que se prolongará por cerca de mês e meio e que implicará condicionamentos alternados ao longo de 3,8 quilómetros de frente costeira.

Pedro Zagacho Gonçalves

Arranca esta segunda-feira a operação de alimentação artificial de areia nas praias urbanas da Costa da Caparica, no concelho de Almada, numa intervenção que se prolongará por cerca de mês e meio e que implicará condicionamentos alternados ao longo de 3,8 quilómetros de frente costeira.

O estaleiro da empreitada começou a ser montado na passada quinta-feira e, a partir de hoje, inicia-se a intervenção faseada nos areais mais afetados pela erosão provocada pelas tempestades do último inverno.

A primeira praia a ser alvo de intervenção será a de São João da Caparica, que ficará interditada a banhistas entre 20 e 26 de maio. Seguir-se-ão as praias de Santo António da Caparica, C.D.S., Tarquínio-Paraíso, Dragão Vermelho, Praia Nova e Nova Praia, esta última com calendário previsto entre 5 e 10 de junho.

Os trabalhos decorrerão de forma faseada, abrangendo 10 faixas de areal alternadas, a um ritmo aproximado de uma praia por semana, com conclusão prevista até 10 de junho.

Segundo o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), José Pimenta Machado, em declarações ao Expresso, “a operação de alimentação artificial das praias é destinada a responder à forte erosão provocada pelas tempestades do último inverno, que levaram a forte erosão e um recuo entre cinco e 10 metros no areal”.

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O responsável assegura que a calendarização teve em conta a proximidade da época balnear, que na Caparica decorre entre 1 de junho e 30 de setembro. “O objetivo é que, quando chegarmos ao verão, as praias estejam já repostas e com melhores condições de segurança e fruição”, afirma.

“ As praias vão estar prontas até arrancar a época balnear”, garante ainda Pimenta Machado, sublinhando que é a primeira vez que uma operação desta natureza avança antes do início oficial da época balnear.

Um milhão de metros cúbicos para reforçar a linha de costa
No total, está prevista a deposição de cerca de um milhão de metros cúbicos de areia ao longo desta extensão costeira, com o objetivo de reforçar os troços mais vulneráveis à agitação marítima.

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Os episódios de mau tempo registados nos últimos meses aceleraram a perda de sedimentos e provocaram galgamentos oceânicos em vários pontos, reduzindo significativamente a largura do areal.

“Foi um inverno particularmente agressivo, que acelerou processos de erosão que já vinham de trás”, reconhece o presidente da APA, defendendo que a intervenção agora iniciada é “essencial para repor o equilíbrio do sistema costeiro”.

Articulação com o Porto de Lisboa
A operação resulta de uma articulação entre a entidade responsável pela obra e o Porto de Lisboa. A areia utilizada provém de dragagens realizadas no Canal da Barra Sul, área sob gestão portuária.

Segundo José Pimenta Machado, esta colaboração permite “dar um destino útil a sedimentos compatíveis, ao mesmo tempo que se reforça a proteção da linha de costa”. Em simultâneo, procede-se ao desassoreamento da zona de entrada de embarcações na foz do Tejo, num modelo já utilizado em anteriores operações de alimentação artificial.

Investimento de nove milhões e histórico de intervenções
A empreitada representa um investimento global de cerca de nove milhões de euros, financiado por fundos europeus, através do Programa Temático para a Ação Climática e Sustentabilidade, e pela Administração do Porto de Lisboa, S.A.

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A intervenção esteve inicialmente prevista para o outono passado, mas foi sucessivamente adiada devido à agitação marítima, que inviabilizava a realização dos trabalhos em condições de segurança e comprometia os objetivos técnicos.

As praias da Costa da Caparica enfrentam problemas estruturais de erosão há várias décadas, o que tem levado à realização periódica de enchimentos artificiais. Entre 2007, 2008, 2009 e 2014 foram depositados, de forma faseada, cerca de 3,5 milhões de metros cúbicos de areia, num investimento total de 19,9 milhões de euros. Em 2019, realizou-se nova operação, com a colocação adicional de um milhão de metros cúbicos.

À medida que a empreitada avançar para cada frente de praia, será feita comunicação local sobre o calendário específico e eventuais condicionamentos temporários, nomeadamente no acesso às zonas intervencionadas.

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