O primeiro-ministro António Costa, apesar de pretender anunciar ao país o seu plano de desconfinamento só no próximo dia 30 de abril, admite, ao Expresso, já ter uma ideia de como o fazer. Será faseadamente e vai proplongar-se pelos próximos meses. E deixa um aviso: “ainda é preciso um esforço e que, se houver novo surto, tudo pode ser revertido. Para já, a economia reabrirá contando apenas com o mercado interno”.
A mensagem fundamental deixada pelo primeiro-ministro, em entrevista ao Expresso, é de que “abril é o esforço final que temos de fazer para conseguir consolidar o controlo da pandemia e termos margem para que em maio possamos começar a ir retomando as atividades, sabendo que durante ano, ano e meio, vamos ter de conviver com o vírus sem vacina”.
António Costa reforça ainda que se trata de um processo de aprendizagem, e como todos os processos de aprendizagem “deve ser gradual, deve ser progressivo, deve ser controlado, para que não se perca em maio aquilo que ganhámos nestes dois meses”.
Assim, este mês de abril tem de ser encarado como “esforço final que temos de fazer para conseguir consolidar o controlo da pandemia e termos margem para que em maio possamos começar a ir retomando as atividades”.
Porém, ressalva o governante, durante ano até ano e meio, vamos ter de conviver com o vírus sem vacina. Tem de ser, por isso, um processo controlado, “para que não se perca em maio aquilo que ganhámos nestes dois meses”.
Recordando que o roteiro da Comissão Europeia diz que entre cada medida de desconfinamento deve ocorrer um mês — para se medir efeitos, António Costa foi questionado sobre como pensa o Governo fazer este desbloqueamento. Sendo que importa saber se em maio conseguiremos cumprir todo o calendário.
Sobre esta matéria, o primeiro-ministro sublinha que em abril “temos de conseguir fazer com que a curva que está a planar possa começar a decrescer e temos de fazer duas coisas fundamentais para dar confiança à sociedade: dispormos em abundância de material de proteção individual, desde máscaras, gel, etc., e de medidas de higienização dos locais de trabalho, dos espaços públicos, dos transportes públicos — que é uma operação mais complexa”.
Traçadas as linhas imperativas, a curto prazo, serão 15 dias suficientes para as colocar em prática? António Costa não tem dúvidas de que vai possível e detalha que, está marcado para dia 28 a próxima reunião conjunta com o Presidente da República, o presidente da Assembleia da República, líderes partidários, conselheiros de Estado e a equipa de cientistas que trabalha para a Direção-Geral da Saúde, para poder ser a avaliação da situação.
“O que gostaríamos era de no Conselho de Ministros de 30 de abril poder anunciar o calendário e o programa de desconfinamento progressivo de um conjunto de atividades, que têm a ver com o sistema de ensino, com as atividades comerciais e de restauração e com as atividades culturais”, conclui.
A partir de junho, o regresso será feito com “uns trabalhando de manhã, outros à tarde. Uns numa semana presencialmente, outros noutra. Se é em junho ou se ainda pode ser em maio, depende muito. Temos de ir medindo dia a dia o que vai acontecendo”, detalha.
Quanto ao uso das máscaras, adianta que nas escolas e nos transportes públicos vai ser obrigatório o uso de máscara comunitária. Relativamente ao comércio, para as pessoas que estão a atender, “vamos ter os acrílicos ou vamos ter de ter máscaras. Além disso, a Administração Pública tem de dar o exemplo, e numa primeira linha de abertura estarão seguramente os serviços de atendimento ao público”, esclarece.
Durante dois meses, faremos uma abertura gradual de atvidades, nomeadamente, do comércio.
“Primeira prioridade vai ser o comércio local, que é o que concentra menos pessoas, onde é possível ter uma menor distância de deslocação e onde é mais fácil organizar as entradas e evitar aglomerações. Uma segunda fase serão as lojas maiores que têm porta aberta para a rua. O terceiro nível serão as grandes superfícies”, especifica.
“Vamos ouvir os autarcas, porque admitimos que em algumas cidades se possa começar por distinguir zonas residenciais de zonas mais comerciais e de maior concentração. Dando o exemplo de Lisboa, não é a mesma coisa abrir as lojas em Alvalade ou em Benfica ou abrir na Baixa-Chiado”, afirma.
Costa esclarece ainda que haver medidas que podem ser tomadas em simultâneo, as que não se cruzam ou que têm o menor risco de cruzamento.
“Manter o teletrabalho serve para termos uma rede de segurança bastante significativa para podermos adotar o conjunto destas medidas. E dá-nos tempo para começar a ver em junho se podemos aumentar o trabalho presencial. É esta combinação que temos de ir fazendo. Sempre medindo, de forma a nunca deixar a situação sair de controlo”, reforça.
Confrontado com o cenário em que tudo o que foi conseguido, se perder e se verificar uma recaída, Costa garante estar preparado, caso seja necessário.
“Mas não basta o primeiro-ministro estar preparado e consciente disso. É fundamental que todos os cidadãos estejam preparados e conscientes disso. Não tivemos de pôr as Forças Armadas na rua, as forças de segurança tiveram uma missão essencialmente pedagógica. O [sucesso] assentou na disciplina e na vontade das pessoas. Para que essa vontade não esmoreça é preciso que tenham confiança no caminho a seguir. Ora, qualquer retrocesso pode pôr em crise essa confiança, por isso temos de ser prudentes nos passos que damos para não termos crise na confiança e podermos ir normalizando a nossa vida, convivendo com o vírus durante ano e meio”, conclui.









