Praça de Lisboa desacelera em novembro: PSI regista primeira queda do ano, mas mantém crescimento anual de 27%

O índice PSI-20 encerrou o mês de Novembro em 8.110,7 pontos, refletindo uma queda mensal de 3,75%, a primeira diminuição registada em 2025. Este comportamento surge em contraciclo com o ligeiro crescimento do mercado global, que avançou 0,2% no mesmo período, segundo dados da Maxyield.

André Manuel Mendes
Dezembro 2, 2025
12:25

O índice PSI-20 encerrou o mês de Novembro em 8.110,7 pontos, refletindo uma queda mensal de 3,75%, a primeira diminuição registada em 2025. Este comportamento surge em contraciclo com o ligeiro crescimento do mercado global, que avançou 0,2% no mesmo período, segundo dados da Maxyield.

Apesar da quebra mensal, o PSI apresenta um crescimento anual de 27,2%, acima da média dos mercados internacionais, evidenciada pelo MSCI World, que registou um aumento anual de 18,6%. Este desempenho coloca o mercado nacional em trajetória positiva, embora sinalize algum esgotamento do ciclo de alta iniciado há cinco anos.

Em novembro, apenas quatro sociedades cotadas no PSI registaram valorização: BCP (7,3%), Sonae SGPS (5%), REN (1,5%) e Navigator (1,2%). Em sentido contrário, destacam-se quedas significativas da Mota-Engil (-20,9%), EDP (-10,8%) e EDP Renováveis (-9,5%). A volatilidade foi elevada, com o índice a reagir ao sell-off internacional da terceira semana do mês e a não conseguir acompanhar a recuperação dos mercados no final de Novembro.

O nível de suporte das cotações em torno de 8.200 pontos foi rompido, colocando o PSI de volta à faixa de variação [7.790 – 8.200], considerada o novo nível de resistência. Segundo analistas, esta correção não indica o fim do bull market, mas exige cautela na gestão das carteiras, sobretudo face ao elevado PER do mercado português, que continua acima de importantes índices internacionais.

No acumulado do ano, destacam-se as subidas expressivas da Teixeira e Duarte (755,7%), BCP (76,8%), Mota-Engil (62,9%) e Sonae (62,4%). Por outro lado, apenas três sociedades registaram quebras anuais: Corticeira Amorim (-16,4%), Navigator (-15,3%) e Altri (-14,4%).

O PSI Geral, que integra o PSI e 15 sociedades do «2º mercado», sofreu uma diminuição mensal de 4,7% em Novembro, mas manteve um crescimento anual de 28,3%. Entre as small caps, destacam-se as valorizações robustas da Sonaecom (31,9%) e da Nova Base (49,2%). Empresas como Martifer, Toyota Caetano e Ramada também apresentaram evolução anual positiva, enquanto Média Capital e Impresa registaram quedas mensais, mas mantiveram ganhos anuais.

O «2º mercado» continua a perder importância, com seis sociedades a deixarem o mercado regulamentado desde 2024, incluindo Grão-Pará, Inapa e Cofina.

Após um período prolongado de valorização, a bolsa portuguesa enfrenta uma fase de correção, marcada por volatilidade e elevada exposição ao short selling. Especialistas alertam que, apesar do ciclo de cinco anos de bull market, os investidores devem manter cautela nos próximos 12 meses, acompanhando de perto a evolução das taxas de juro e o contexto internacional.

 

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