“Uma em cada três famílias na União Europeia não está preparada para reagir a choques inesperados, quanto mais numa pandemia”, afirmam três economistas, no relatório publicado pelo ‘think tank’ Bruegel, um dos mais importantes na Europa, citado pelo ‘Negócios’.
Com base nos dados do Eurostat e do Banco Central Europeu sobre rendimentos, consumo e níveis de vida das famílias europeias, os especialistas alertam para a grande fragilidade financeira, tendo aferido que já antes da pandemia da covid-19, metade das famílias em Portugal só tinha poupanças para, no máximo, cinco meses de consumos básicos (alimentação, pagar empréstimos ou rendas da casa, luz, água e gás).
Esta fragilidade ganha maior relevância no cenário atual, atendendo a que devido à crise muitas famílias possam perder os rendimentos, sofrendo o impacto de medidas como o ‘lay-off’. Sendo que as previsões apontam para uma subida do desemprego,
A análise destes economistas revela ainda que, na generalidade dos países europeus, as famílias apresentam uma fragilidade ‘elevada’ e Portugal aparece entre os países com menor robustez.
Considerando meses de consumo equivalente, metade das famílias em Portugal esgota as poupanças em pouco mais de cinco meses e só com compras de bens essenciais.
Em termos de meses de rendimento comparáveis, em Portugal, os 25% de famílias mais pobres só têm de parte, em média, cerca de metade de um salário.
Em Malta, Áustria, Luxemburgo, Holanda, Bélgica, Itália, Alemanha e França, vivem as famílias que conseguem aguentar mais tempo sem rendimento, sendo que Malta e Áustria se destacam como as que têm maior robustez financeira, podendo mesmo ‘esticar’ as suas poupanças por mais de 15 meses.
Existem, contudo, países onde as famílias estão ainda mais frágeis do que em Portugal, nomeadamente, na Grécia ou no Chipre.













