Portugueses só vão às urgências “porque não têm alternativa”. Administradores hospitalares pedem “soluções” para combater elevada procura

Para o presidente da Associação de Administradores Hospitalares, é necessário reforçar a capacidade de resposta e não travar o acesso à urgência a quem não é referenciado pelo SNS 24 ou pelo INEM.

Simone Silva
Março 30, 2022
11:24

Alexandre, Lourenço, presidente da Associação de Administradores Hospitalares, considera que os portugueses só recorrem às urgências dos hospitais “porque não têm alternativa” e pede que o Governo encontre outras soluções para combater a elevada procura que se tem registado.

Em declarações à ‘Renascença’, o responsável refere que tem havido uma procura recorde do número de urgências e sublinha que no Norte do país, onde também se verifica esta alta procura, há cobertura quase total de médicos de família, o que mesmo assim não é suficiente.



Assim, adianta, é necessário reforçar a capacidade de resposta e não travar o acesso à urgência a quem não é referenciado pelo SNS 24 ou pelo INEM, como sugeriram alguns responsáveis hospitalares esta quarta-feira.

“Na prática parece uma medida extrema que pode ser implementada em circunstâncias em que o serviço de urgência realmente não tem capacidade de resposta”, sublinha, citado pela estação.

Para o responsável, “tem que ser encontrado outro tipo de soluções e ir à raiz do problema, caso contrário, estamos a criar barreiras ao acesso a cuidados de saúde”, alerta.

“E nós temos de perguntar porque é que os portugueses vão ao serviço de urgência. E a resposta é clara, é porque não têm alternativa. Não existe outra alternativa que não os serviços de urgência”, reitera.

Segundo Alexandre Lourenço, “qualquer pessoa que quer agendar uma consulta para o médico de família vê que essa consulta é agendada dias depois, meses depois, ou se quer uma consulta hospitalar espera meses ou às vezes anos por ter uma consulta”.

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