Portugueses revelam principais medos em estudo sobre ansiedade e comportamento

Nove em cada dez portugueses têm medo de falhar profissionalmente, revela o primeiro estudo nacional sobre o medo, que aponta a saúde e a solidão como as maiores preocupações da população.

Executive Digest

Nove em cada dez portugueses assumem ter medo de falhar profissionalmente, segundo o primeiro estudo nacional dedicado ao medo, realizado pela ConsumerChoice. A investigação identificou os 100 principais receios da população, abrangendo áreas como a vida profissional, saúde e bem-estar e relações familiares.

Os dados revelam que o medo é uma presença constante e transversal na vida dos portugueses, influenciando decisões, comportamentos e até o percurso pessoal e profissional.

Saúde domina lista dos maiores medos

Entre os dez medos mais referidos, oito estão diretamente ligados à saúde, evidenciando a forte preocupação com a perda de autonomia e qualidade de vida. A perda de mobilidade e o risco de hospitalização surgem no topo, ambos com 85%, seguidos pelas doenças incuráveis e pela surdez, com 83%.

A cegueira (81%), as doenças em geral (81%) e os acidentes (79%) também integram a lista. A estes junta-se o receio de envelhecer sozinho (79%), o principal medo na esfera pessoal.

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Vida pessoal marcada pelo medo da solidão e da deceção

Na vida pessoal, o envelhecimento solitário destaca-se como a principal preocupação, afetando 79% dos inquiridos. Seguem-se o medo de dececionar a família (30%) e de enfrentar situações de conflito (22%).

No campo amoroso, os dados mostram dificuldades emocionais relevantes: 40% dos portugueses admite evitar confrontos e 26% revela ter dificuldade em confiar nos outros.

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Infância continua a influenciar decisões na vida adulta

O estudo indica ainda que 77% dos portugueses acredita que a infância continua a condicionar as suas escolhas na vida adulta. Entre os principais medos transmitidos de geração em geração estão o receio de falhar, os perigos físicos e financeiros, a preocupação com erros e falhas e a rejeição social.

Cerca de 29% dos filhos herda diretamente dos pais o medo de falhar, enquanto 28% absorve receios relacionados com riscos físicos ou financeiros e 18% o medo de não ser aceite socialmente.

Medo condiciona decisões e desempenho

O impacto do medo nas decisões é significativo. Quase metade dos portugueses (46%) admite já ter evitado tomar decisões importantes devido ao medo, enquanto 38% reconhece que esta emoção condiciona escolhas relevantes.

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Apesar disso, o medo não é visto apenas como negativo. Para 46% dos inquiridos, trata-se de um mecanismo de proteção, enquanto 27% considera que pode funcionar como ferramenta de aprendizagem. Apenas 15% o encara como um fator impeditivo.

Ainda assim, 28% identifica no medo uma oportunidade de crescimento pessoal.

Impacto igual na vida pessoal e profissional

O estudo revela que o medo afeta de forma semelhante a vida pessoal e a vida profissional, ambas com 25%. Seguem-se a esfera emocional (19%), os relacionamentos (15%) e a vida familiar (14%).

No contexto profissional, 43% dos participantes admite já ter sentido impacto negativo no desempenho. Os principais receios incluem o medo de falhar ou não atingir metas (28%), o fracasso em projetos e tarefas (25%) e o receio de despedimento (17%).

Outros fatores incluem o medo de falar em público (15%), o receio do julgamento dos colegas (16%) e preocupações com a progressão na carreira (11%).

Superar o medo é chave para o sucesso

Apesar dos impactos negativos, a maioria dos portugueses acredita no potencial transformador do medo. Cerca de 92% considera que superá-lo é essencial para alcançar o sucesso, enquanto 54% reconhece que pode ser positivo quando bem gerido.

Os resultados do estudo são apresentados no livro “Medo – Como Transformar Ameaças em Forças”, de José Borralho, que cruza dados estatísticos com experiências pessoais e profissionais para refletir sobre o papel do medo.

Segundo o autor, o medo não é apenas um alerta de perigo físico, mas também um reflexo das crenças e limites individuais. Sempre que surge o receio de falhar, de ser rejeitado ou de perder algo, está em causa uma dimensão profunda da identidade.

O medo, conclui, pode funcionar como um espelho que revela o que é mais valorizado e os pontos onde existe maior necessidade de crescimento.

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