A Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) indicou que os “portugueses estão a comprar férias como nunca tinham comprado”: de acordo com Pedro Costa Ferreira, presidente do organismo, a procura por viagens nos primeiros meses deste ano subiu 20% face a 2023, que terminou como o melhor ano para o setor.
As agências de viagens estão a ultrapassar todos os recordes de vendas, informou esta segunda-feira o ‘Diário de Notícias’: “Venderam-se muitos milhões de euros de reservas de verão na Bolsa do Turismo de Lisboa (BTL). O verão já está a aquecer e, aparentemente, está a haver antecipação de reservas. Os operadores foram ambiciosos e reforçaram quer no médio curso quer no longo curso e nas operações charter. Temos mais capacidade de transportar portugueses para os diversos destinos e, ainda assim, a grande verdade é que continuam a comprar como nunca”, indicou o responsável.
“Não podemos explicar porque é que isto está a acontecer, apenas podemos relatar que está, de facto, a acontecer”, referiu Pedro Costa Ferreira, indicando que as perspetivas para este ano eram tímidas.
De acordo com a Agência Abreu, são os hotéis que registaram a maior subida, contrariamente às “componentes aérea e de operação turística que registam subidas mais modestas”, apontou Pedro Quintela, diretor-geral de Vendas e Marketing da agência de turismo. “Os valores da hotelaria portuguesa têm vindo a aumentar e isso faz com que alguns destinos estrangeiros de proximidade se tornem mais apelativos e competitivos, comparativamente com alguns destinos nacionais”, assumiu.
“Portugal manter-se-á, este ano, como o principal destino de férias dos portugueses. Ao longo do país há uma nova oferta utilizada cada vez mais pelos portugueses. O maior sucesso da Madeira nos últimos anos foi o mercado interno e temos de pensar também no êxito dos Açores. Tudo está a crescer, não creio que se possa dizer que, pelo facto de no mundo existirem ofertas mais agressivas e de os portugueses viajarem também mais para fora, estão a fugir de Portugal. Estão a escolher entre as várias oportunidades as boas oportunidades que existem fora de portas”, revelou Pedro Costa Ferreira.
E para onde querem ir os portugueses?
“As reservas para os Açores e Madeira aumentaram em comparação com 2023, assim como a procura por destinos de longa distância, como Índia, Japão, China, Tailândia, Vietname e Canadá”, destacou o diretor operacional da Lusanova, Tiago Encarnação. “É comum que os preços dos pacotes turísticos aumentem em comparação com o ano anterior, no entanto, notamos que esse aumento de preços não parece ter afetado a procura e a escolha dos destinos da nossa oferta. Não teve nenhum impacto na procura pelos nossos destinos”, assinalou.
Disneyland Paris, Cabo Verde, Marrocos, ilhas espanholas, Tunísia, Creta, Senegal e São Tomé são alguns dos destinos com maior procura, já consolidada nos últimos anos. No longo curso, República Dominicana, México, Cuba e Brasil são os preferidos.
“Há também uma procura acima do normal por viagens temáticas”, assinalou a Pinto Lopes Viagens: Europa e Ásia estão entre os favoritos, com Japão, Índia, Argentina e Chile, Peru e Emirados Árabes Unidos em destaque: há o entanto, um crescente interesse por destinos mais ‘exóticos’ como Iraque, Coreia do Norte, Antártida, Alasca, Arábia Saudita, Angola e Zimbabué.
“Apesar da conjuntura macroeconómica, as perspetivas são de que os portugueses vão continuar a viajar. Pelo menos, no que se refere ao nosso cliente-tipo, temos a convicção de que este não vê o ato de viajar como um custo, mas sim, como um investimento”, sublinhou o CEO, Rui Pinto Lopes.







