Os europeus querem controlos fronteiriços mais rigorosos e discorda da política de migração da UE, apontou esta segunda-feira uma sondagem realizada pela Ipsos para a ‘Euronews’: 51% dos europeus têm uma avaliação “negativa” do impacto do bloco europeu nas migrações, enquanto apenas 16% mostrou ter uma opinião “positiva”: há 32% que disseram que o impacto “não foi nem positivo nem negativo”.
Em Portugal, os resultados seguem em linha com a Europa: 64% dos inquiridos nacionais garantiram que a migração deve ser “uma prioridade”, face aos 9% que garantiram ser “secundária”.
Esta tendência é transversal no espaço europeu, em termos de géneros, grupos etários e profissões, sendo consistente na maioria dos países: França (62%), Áustria (60%) e Hungria (58%) são as nações mais críticas, já a Dinamarca (26%), Roménia (27%) e Finlândia (32%) estão no extremo oposto.
São os cidadãos que apoiam partidos de extrema-direita quem têm opiniões mais duras (78%), assim como os conservadores e reformistas europeu de extrema-direita (65%), seguidos pelos grupos de esquerda (55%).
A migração é mesmo a área de intervenção europeia mais depreciada, entre as seis colocadas na sondagem, que incluíam as respostas à pandemia da Covid-19 ou à invasão da Ucrânia pela Rússia.
A insatisfação com a política de migração da UE traduz-se numa exigência generalizada de reforço dos controlos fronteiriços para combater a migração irregular: 71% dos inquiridos concordaram que este deve ser o foco principal nos próximos anos.
A Polónia (86%), a Bulgária (83%) e a Finlândia (83%) registam o nível mais elevado de apoio a esta ação, que é a opinião maioritária em todos os países inquiridos. Já 28% dos europeus sublinharam que o bloco deveria, em vez disso, dar prioridade a uma “política de acolhimento de imigrantes em nome dos valores humanistas”: Espanha (41%) e Itália (39%) são os mais recetivos a esta abordagem.
Já 59% dos inquiridos afirmaram que a UE deveria fazer da luta contra a migração irregular uma prioridade, tornando-a o quarto tema mais importante da agenda política, depois do aumento dos preços, das desigualdades sociais e do crescimento económico, e à frente do desemprego, das alterações climáticas, da defesa coletiva e assistência à Ucrânia.
Andrew Geddes, diretor do Centro de Política de Migração do Instituto Universitário Europeu (EUI), garantiu que as preocupações com a migração têm sido alimentadas e politizadas por partidos de extrema-direita na Europa, incluindo o Chega. “Podemos ver que a migração está a tornar-se cada vez mais uma questão mais importante. A sua importância está a crescer e está a motivar os votos de setores do eleitorado. Portanto, não é a questão mais importante, mas é importante”, salientou, em declarações à ‘Euronews’.
“Penso que, fundamentalmente, tudo se resume ao facto de as pessoas quererem ver um sistema que funcione, que funcione e que os Estados-membros possam concordar entre si. Mas o que veem, em vez disso, são Estados-membros a discordar entre si sobre qual deveria ser a política e disputas contínuas sobre migração.”






