Portuguesa Neuraspace capta 15,6 milhões de euros para conquistar o mercado espacial com IA

A Neuraspace, empresa portuguesa especializada em soluções de Vigilância Espacial e Gestão de Tráfego Espacial baseadas em inteligência artificial, captou 15,6 milhões de euros numa nova ronda de financiamento.

André Manuel Mendes

A Neuraspace, empresa portuguesa especializada em soluções de Vigilância Espacial e Gestão de Tráfego Espacial baseadas em inteligência artificial, captou 15,6 milhões de euros numa nova ronda de financiamento. O montante será utilizado para acelerar a expansão internacional da empresa e reforçar as suas soluções comerciais e de defesa.

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Do total angariado, 9,6 milhões de euros são provenientes do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), enquanto os restantes seis milhões correspondem a investimento privado. A ronda foi liderada pela Lince Capital, Explorer Investments e Armilar Venture Partners.

A empresa pretende canalizar os recursos para o desenvolvimento das suas capacidades comerciais e de defesa, com particular enfoque nas operações espaciais autónomas, em infraestruturas soberanas de deteção e na aplicação de inteligência artificial à segurança espacial.

Entre as prioridades está o reforço da plataforma de IA da Neuraspace, a expansão da sua rede própria de sensores óticos e o desenvolvimento da NeuraspaceDEF, uma oferta dual-use destinada a apoiar entidades governamentais e de defesa através de serviços de Vigilância Espacial.

“A Neuraspace afirmou-se como uma das mais promissoras empresas europeias de tecnologia espacial”, afirma Vasco Pereira Coutinho, CEO da Lince Capital, considerando que a empresa está “bem posicionada para se tornar uma referência europeia” em soluções de Vigilância Espacial e Gestão de Tráfego Espacial baseadas em inteligência artificial.

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Fundada em 2020, a Neuraspace tem registado um crescimento acelerado. No último ano, as receitas aumentaram mais de 350% e, atualmente, a empresa monitoriza mais de 600 satélites operados por clientes comerciais e institucionais.

Entre os clientes estão a Spire Global, GEOSAT, NanoAvionics, Sidus Space, U-Space e a Agência Espacial Europeia (ESA). As soluções da empresa permitem aos operadores antecipar e prevenir colisões, reforçar a resiliência operacional e conduzir missões espaciais mais autónomas e seguras.

Defesa ganha peso na estratégia

A atividade da Neuraspace no setor da defesa tem também vindo a crescer, com contratos com a Força Aérea Portuguesa e a NATO. Mais recentemente, a empresa foi selecionada como parceiro principal por um Ministério da Defesa europeu, reforçando a sua posição enquanto fornecedor de serviços de Vigilância Espacial para aplicações civis e militares.

O novo investimento surge num contexto de crescente congestionamento e competição no espaço. Além do aumento do risco de colisões entre objetos e satélites, os operadores enfrentam ameaças como ciberataques, interferências de radiofrequência e ataques de spoofing e jamming a sinais GNSS.

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A plataforma da Neuraspace cruza dados de sensores comerciais e soberanos com determinação orbital de elevada precisão, avaliação de risco e de ameaças baseada em inteligência artificial e apoio autónomo à tomada de decisão.

A tecnologia permite a operadores comerciais, entidades governamentais e organizações de defesa detetar, avaliar e responder mais rapidamente tanto a incidentes operacionais como a ameaças emergentes.

Para a empresa, a combinação de infraestrutura soberana de deteção, fusão de dados através de IA e automação operacional contribui ainda para reforçar a soberania tecnológica europeia e reduzir a dependência de capacidades externas de Vigilância Espacial.

“Quando a Neuraspace foi fundada, a nossa missão era tornar o espaço mais seguro. Essa missão evoluiu acompanhando a realidade operacional”, afirma Chiara Manfletti, CEO da empresa.

“Hoje, proteger satélites significa lidar tanto com riscos acidentais como com ameaças intencionais. Segurança operacional e proteção já não são desafios separados. São duas faces do mesmo problema operacional”, acrescenta.

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Segundo a CEO, o financiamento marca “o início da próxima fase de crescimento da Neuraspace”, permitindo reforçar as capacidades soberanas europeias de Vigilância Espacial e disponibilizar serviços baseados em inteligência artificial para missões comerciais, institucionais e de defesa.

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