Portugal vive “paradoxo” com economia a crescer, mas competitividade a cair, revela a Porto Business School

Portugal caiu três lugares no Ranking Mundial de Competitividade do IMD 2026, passando a ocupar a 40.ª posição entre 70 economias, apesar de registar melhorias no desempenho económico.

André Manuel Mendes

Portugal caiu três lugares no Ranking Mundial de Competitividade do IMD 2026, passando a ocupar a 40.ª posição entre 70 economias, apesar de registar melhorias no desempenho económico. O país sobe no pilar económico, mas continua a perder terreno na capacidade de transformar crescimento em produtividade, inovação e execução consistente.

Os dados são divulgados pela Porto Business School em parceria exclusiva com o IMD, no âmbito do World Competitiveness Center.

A economia portuguesa apresenta sinais positivos, com destaque para o quarto lugar mundial em receitas do turismo, o 11.º em fluxos de investimento direto estrangeiro em percentagem do PIB, o 12.º nos baixos níveis de exclusão jovem e o terceiro na menor concentração das exportações por produto. Ainda assim, estes resultados não foram suficientes para travar a queda global da competitividade.

No pilar do Desempenho Económico, Portugal subiu sete posições, alcançando o 35.º lugar. No entanto, os restantes pilares continuam a penalizar o desempenho do país, nomeadamente a Eficiência Governativa (41.º), a Eficiência Empresarial (45.º) e as Infraestruturas (31.º).

A principal fragilidade permanece na capacidade de execução. Segundo a análise, Portugal dispõe de ativos competitivos relevantes — talento qualificado, abertura ao investimento externo, qualidade de vida e infraestruturas base — mas continua a falhar na sua conversão em ganhos sustentados de produtividade e inovação.

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Na Eficiência Governativa, os desafios estão sobretudo ligados à previsibilidade do enquadramento institucional, fiscal e regulatório, com impacto direto na confiança dos investidores. Já a Eficiência Empresarial regista o pior desempenho entre os pilares avaliados, com destaque negativo para práticas de gestão (53.º), mercado de trabalho (46.º) e produtividade (48.º), bem como fragilidades no empreendedorismo, dimensão das PME e formação de competências.

“Sem instituições mais ágeis e empresas mais capazes, os ganhos da economia não se convertem em competitividade duradoura”, sublinha a análise.

No topo do ranking, Singapura recupera a liderança mundial, seguida de Hong Kong, Suíça, Taiwan e Emirados Árabes Unidos. O top 10 inclui ainda Dinamarca, Irlanda, Países Baixos, Suécia e Estados Unidos, que regressam ao grupo das economias mais competitivas.

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“As condições geopolíticas estão a deteriorar-se e a fragmentação global está a aumentar. As nações com instituições credíveis e testadas ganham vantagem neste contexto porque, à medida que o sistema internacional deixa de responder a muitas necessidades nacionais, as empresas conseguem continuar a operar com previsibilidade”, afirma Arturo Bris, diretor do World Competitiveness Center do IMD.

Apesar da descida no ranking, o talento continua a ser o principal fator de atratividade de Portugal. No Executive Opinion Survey do IMD, a mão de obra qualificada é apontada por 72% dos inquiridos, seguida da competitividade de custos (68%), infraestruturas fiáveis (62%), abertura cultural (60%) e estabilidade das políticas públicas (40%).

Os próximos anos são vistos como críticos para o país, exigindo diversificação da base produtiva e das exportações, reforço das competências de gestão, alinhamento da formação com as transições digital e verde, aceleração da transição energética e melhorias na execução de reformas estruturais.

Para José Esteves, dean da Porto Business School, o desafio é claro: “Portugal tem profissionais de excelência, atrai investimento e é uma economia aberta ao mundo. Mas a competitividade do futuro não se mede pelos ativos que temos – mede-se pela forma como os transformamos em produtividade, inovação, escala e impacto.”

O Ranking Mundial de Competitividade do IMD avalia anualmente 70 economias com base em quatro dimensões: Desempenho Económico, Eficiência Governativa, Eficiência Empresarial e Infraestruturas, combinando dados estatísticos com inquéritos a executivos.

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