Portugal vai comprar três fragatas por 3,9 mil milhões. O que está em causa e porque é que o negócio está a gerar polémica?

Há três grandes questões que continuam a marcar o negócio: o preço final das fragatas, a diferença em relação ao valor pago pela Marinha italiana por navios muito semelhantes e a controvérsia sobre a eventual existência de intermediários ou comissões.

Executive Digest

Portugal vai avançar com a compra de três fragatas FREMM EVO à italiana Fincantieri por cerca de 3,9 mil milhões de euros. O negócio destina-se a reforçar a Marinha Portuguesa, mas está já envolvido em polémica devido ao preço das embarcações, às comparações com o que paga a Marinha italiana e às suspeitas sobre a alegada existência de intermediários e comissões.

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As três fragatas deverão ser entregues entre 2029 e 2030 e serão financiadas através do SAFE, o instrumento europeu Safe Action for Europe. Portugal garantiu 5,8 mil milhões de euros através deste mecanismo e cerca de 3,9 mil milhões serão destinados à aquisição dos novos navios.

Que fragatas vai Portugal comprar?

As FREMM EVO são a versão mais recente da classe European Multi-Mission Frigate Evolution, desenvolvida pela indústria naval italiana.

Estes navios incorporam novos sensores, sistemas de combate e capacidades destinadas a responder a ameaças emergentes.

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As fragatas poderão ser utilizadas em missões de vigilância marítima, defesa antiaérea e antissubmarina, proteção de linhas de comunicação marítima, operações da NATO e da União Europeia e projeção de força.

Porque precisa a Marinha de novos navios?

A Marinha Portuguesa dispõe atualmente de cinco fragatas. Três entraram ao serviço em 1991 e outras duas em 2009 e 2010.

A frota inclui o NRP Vasco da Gama, o NRP Álvares Cabral, o NRP Corte-Real, o NRP Bartolomeu Dias e o NRP D. Francisco de Almeida.

A chegada das novas unidades deverá aumentar a disponibilidade operacional e reduzir a pressão sobre os navios que estão atualmente ao serviço.

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Quanto vai Portugal pagar?

O valor global da aquisição ronda os 3,9 mil milhões de euros.

Isso significa que cada plataforma deverá custar mais de mil milhões de euros.

É precisamente este valor que introduz uma das principais questões em torno do negócio.

Segundo o Expresso, Portugal deverá pagar pelo menos 25% mais por cada fragata do que a própria Marinha italiana por navios 95% semelhantes.

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Em 2024, Itália contratou duas unidades junto da Fincantieri e da Leonardo por cerca de 750 milhões de euros cada.

Porque é que Portugal paga mais do que Itália?

A informação disponibilizada não explica em detalhe a origem da diferença de preço.

O que se sabe é que os navios destinados a Portugal serão muito semelhantes aos adquiridos pela Marinha italiana, mas terão um custo unitário superior.

Esse diferencial tornou-se, por isso, um dos pontos mais sensíveis do negócio.

A Fincantieri era a única opção?

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Não.

Portugal estava a avaliar várias alternativas para renovar a frota.

Em março, o ministro da Defesa, Nuno Melo, admitia ainda soluções italianas, francesas, holandesas ou espanholas.

Na fase final, a italiana Fincantieri e a francesa Naval Group ganharam particular destaque.

Como foi feita a escolha?

O Ministério da Defesa sustenta que o processo decorreu diretamente entre o Estado português e o Estado italiano.

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Nuno Melo tem defendido que o modelo do SAFE assenta precisamente em aquisições conjuntas e negociações entre Estados.

É também esta versão que o Governo utiliza para rejeitar uma das principais acusações surgidas entretanto.

De onde vem a polémica das comissões de 90 milhões?

A controvérsia começou depois de o jornal online 24Horas ter noticiado que uma empresa portuguesa, a NTG, teria participado como intermediária na operação.

Segundo essa notícia, a empresa terá sido afastada do processo e, com isso, perdido cerca de 90 milhões de euros em comissões.

O Ministério da Defesa rejeita esta versão e garante que nenhuma empresa portuguesa participou no processo aquisitivo.

O que diz o Governo?

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A tutela afirma que a compra foi negociada exclusivamente entre Portugal e Itália.

O Ministério da Defesa garante que nenhuma empresa portuguesa participou, em qualquer momento, na operação.

Nuno Melo decidiu ainda avançar judicialmente contra o 24Horas, André Ventura e Pedro Frazão, na sequência das notícias e acusações relacionadas com o negócio.

Luís Montenegro considerou legítima a decisão do ministro de recorrer aos tribunais para defender o seu bom nome.

Porque entrou o Chega no caso?

André Ventura pediu uma investigação ao destino de várias dezenas de milhões de euros que, segundo afirmou, estariam associados a comissões.

Pedro Frazão também levantou dúvidas sobre a integridade do processo e acusou o Governo de estar envolvido em mais uma polémica na área da Defesa.

E o PS?

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O PS também pediu esclarecimentos, embora não ponha em causa a escolha técnica feita pela Marinha.

Os socialistas querem sobretudo explicações sobre o retorno do investimento para a economia portuguesa e sobre as eventuais contrapartidas associadas à compra.

O que falta esclarecer?

Há três grandes questões que continuam a marcar o negócio: o preço final das fragatas, a diferença em relação ao valor pago pela Marinha italiana por navios muito semelhantes e a controvérsia sobre a eventual existência de intermediários ou comissões.

O Governo rejeita que empresas portuguesas tenham participado no processo e promete transparência, mas a compra deverá continuar sob escrutínio político à medida que avançar.

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