Portugal tem o equivalente a 12 moedas de ouro por cidadão

O preço do ouro atingiu novos recordes em 2025, ultrapassando os 2.940 dólares por onça troy a 19 de fevereiro — um aumento de cerca de 50% num só ano — impulsionado por tensões geopolíticas, incertezas económicas globais e o retorno de Donald Trump à presidência dos EUA. que trouxe novas tarifas comerciais e receios de uma guerra económica.

André Manuel Mendes

O preço do ouro atingiu novos recordes em 2025, ultrapassando os 2.940 dólares por onça troy a 19 de fevereiro — um aumento de cerca de 50% num só ano — impulsionado por tensões geopolíticas, incertezas económicas globais e o retorno de Donald Trump à presidência dos EUA. que trouxe novas tarifas comerciais e receios de uma guerra económica.

Com o metal precioso a reforçar o seu papel de ativo-refúgio, os bancos centrais intensificaram a compra de ouro em 2024, segundo dados do World Gold Council analisados pela plataforma BestBrokers. A Polónia liderou as aquisições, com mais 89,5 toneladas, seguida pela Turquia (74,8 t) e pela Índia (72,6 t). A China, apesar de já deter grandes reservas, comprou mais 44,2 toneladas. O Zimbabué, em plena crise de hiperinflação, duplicou praticamente as suas reservas, embora em valores absolutos modestos (2 t no total).



Entre os países que mais venderam ouro em 2024 estiveram as Filipinas, Cazaquistão, Singapura e Tailândia. No caso das Filipinas, as vendas líquidas ascenderam a 29,4 toneladas, refletindo uma estratégia de aproveitamento da valorização do ouro para fazer face a necessidades de liquidez.

Portugal destaca-se no ouro per capita

Embora Portugal não figure entre os principais compradores ou vendedores de ouro, aparece destacado no ranking de reservas per capita. Com uma reserva nacional superior a 382 toneladas (dados de 2024), Portugal tem, em média, o equivalente a 12 moedas de ouro por cidadão (com base numa moeda de 0,1 onça troy), posicionando-se ao lado de economias como Singapura, Catar, França e Holanda nesta métrica.

A Suíça lidera destacadamente em reservas per capita, com 115 gramas por cidadão, seguida pelo Líbano, Itália e Alemanha. Nos países com maiores reservas absolutas, os EUA mantêm a liderança com 8.133 toneladas, seguidos pela Alemanha, Itália, França, Rússia e China.

A forte procura por ouro reflete a crescente instabilidade internacional e a busca por ativos considerados seguros. Analistas do Goldman Sachs e Citigroup preveem que o preço do ouro possa ultrapassar os 3.000 dólares por onça até ao final de 2025, sustentado por taxas de juro mais baixas, fragilidade do dólar e a tendência dos bancos centrais para reforçarem reservas em tempos de incerteza.

Apesar de Portugal manter uma posição relativamente estável nas suas reservas, o contexto internacional poderá motivar uma reavaliação estratégica sobre o papel do ouro nas reservas nacionais, especialmente tendo em conta o cenário de inflação global, o enfraquecimento de algumas moedas e o aumento da exposição de outros países a este ativo.

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