O primeiro-ministro Luís Montenegro reforçou este sábado a importância da relação entre Portugal e o Brasil, sublinhando o caráter histórico e estratégico da cooperação bilateral, durante uma intervenção após reunião com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, em visita oficial ao país. O chefe do Governo português começou por dar as boas-vindas à delegação brasileira, afirmando ser “um gosto e uma honra” receber Lula, lembrando os vários encontros recentes entre ambos, incluindo o G20 de 2024, a cimeira luso-brasileira em Brasília e a COP30, em Belém do Pará.
Um dos pontos centrais do discurso foi o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, que Montenegro classificou como um momento decisivo para o futuro das relações económicas, e declarou o “empenho” do país neste acordo. O primeiro-ministro afirmou que Portugal é um “defensor intransigente deste acordo”, e que será “um motor” do mesmo, destacando que este coloca “mais de 700 milhões de consumidores em contacto com as suas estruturas económicas”, criando condições para um mercado mais integrado e competitivo. O governante reconheceu ainda o papel do Brasil neste processo, sublinhando que, “25 anos depois”, foi possível alcançar um entendimento que permitirá ao país sul-americano projetar-se de forma mais profunda na economia europeia, com Portugal a assumir-se como parceiro privilegiado.
Comunidade brasileira em Portugal atinge níveis históricos
No plano social e migratório, Montenegro destacou o crescimento da comunidade brasileira em Portugal, que ultrapassa atualmente as 500 mil pessoas. Segundo afirmou, trata-se da maior comunidade estrangeira no país, com uma integração “absolutamente impecável” na sociedade e na economia. Apesar de reconhecer a existência pontual de problemas, considerou-os naturais e residuais, sublinhando que “no global” a relação tem decorrido de forma muito positiva. O primeiro-ministro frisou ainda que muitos brasileiros chegam a Portugal “para trabalhar, para desenvolver os seus projetos de vida” e encontram condições de acolhimento baseadas na dignidade e no respeito.
O chefe do Governo revelou também que, nos últimos dois anos, foram regularizados mais de 235 mil processos de cidadãos brasileiros que se encontravam sem documentação válida, num universo global de mais de 400 mil processos analisados. Apenas cerca de 5 mil pedidos foram recusados, o que representa uma taxa inferior a 5%, apontada como reflexo da forte ligação entre os dois países. No plano internacional, Montenegro destacou ainda a cooperação política em temas como a paz, a estabilidade global e o reforço do multilateralismo, agradecendo o apoio do Brasil à candidatura portuguesa ao Conselho de Segurança da ONU para o biénio 2027-2028.
A concluir, o primeiro-ministro sublinhou que a relação entre Portugal e o Brasil, com mais de 200 anos de história diplomática, deve continuar a evoluir com foco na inovação, tecnologia e desenvolvimento económico. Referiu áreas estratégicas como a aeronáutica, defesa, energia, saúde e conhecimento científico como pilares da cooperação futura, defendendo que as duas economias podem “beneficiar-se mutuamente” como parceiras. Montenegro expressou ainda o desejo de que a visita de Lula da Silva seja “marcante” e contribua para reforçar ainda mais os laços entre os dois países.













