A transição para a mobilidade elétrica continua a ganhar expressão em Portugal, mas ainda há um obstáculo que pesa na decisão dos condutores: a disponibilidade de pontos de carregamento. Dados da ‘EasyPark’, parte da Arrive, revelam que 44% dos portugueses inquiridos admitem que optariam mais facilmente por um carro elétrico se a infraestrutura pública de carregamento fosse mais vasta.
O crescimento dos veículos elétricos tem sido impulsionado por medidas de apoio à compra, pela maior oferta no mercado e pela perspetiva de restrições futuras à produção e venda de automóveis com motores a combustão. Ainda assim, para muitos condutores, a mudança depende menos da vontade de aderir à mobilidade elétrica e mais da confiança na rede disponível no dia a dia.
A falta de soluções de carregamento continua, por isso, a surgir como um dos principais travões à decisão de compra. O tema ganha particular relevância num momento em que a mobilidade urbana enfrenta novas exigências, não apenas ao nível da pressão sobre o tráfego, mas também da capacidade das infraestruturas para acompanhar a transição energética.
“A mobilidade do futuro passa pelo digital e pela opção por soluções mais amigas do ambiente. Ainda que as viaturas elétricas estejam na mente dos condutores quando pretendem mudar de carro, a verdade é que alguns dos principais desafios estão nas infraestruturas”, afirma Jennifer Amador Tavares de Sousa, diretora para Portugal e Espanha da Arrive.
Para a responsável, a resposta deve passar por uma combinação de incentivos, investimento e soluções mais próximas das necessidades reais dos utilizadores. “Alguns dos passos a considerar a curto prazo passam por alinhar os incentivos com o investimento em plataformas e soluções de carregamento mais inteligentes e mais próximas dos condutores. Ao mesmo tempo, é importante que estas soluções sejam desenvolvidas em conjunto com as entidades reguladoras, os operadores e, acima de tudo, de acordo com as necessidades dos condutores”, acrescenta.
Os dados da EasyPark estão alinhados com a leitura do Observatório ACP, que aponta a necessidade de uma infraestrutura mais consistente como fator essencial para acelerar a transição para os carros elétricos em Portugal. Ou seja, o interesse dos consumidores existe, mas a confiança na rede de carregamento continua a ser determinante.
O estudo mostra ainda diferenças relevantes entre gerações. Os condutores entre os 18 e os 34 anos são os que mais optam por veículos elétricos, representando 11,7% dos inquiridos. Já os híbridos têm maior adesão entre os condutores com mais de 55 anos, com 15,3%. Nas faixas etárias intermédias, os automóveis a combustão continuam a prevalecer.
A conclusão é clara: a mobilidade elétrica já entrou nas opções dos portugueses, mas a expansão da rede de carregamento poderá ser decisiva para transformar intenção em compra efetiva.











