Portugal produz 80% do jet fuel que consome, mas Europa alerta para escassez e subida de preços

Portugal assegura cerca de 80% do combustível de aviação (jet fuel) consumido no país através de produção interna, um nível de autonomia que contrasta com a realidade europeia e que ganha relevância num contexto de instabilidade internacional e subida acentuada dos preços da energia.

Revista de Imprensa

Portugal assegura cerca de 80% do combustível de aviação (jet fuel) consumido no país através de produção interna, um nível de autonomia que contrasta com a realidade europeia e que ganha relevância num contexto de instabilidade internacional e subida acentuada dos preços da energia.

De acordo com o jornal Público, a maior parte deste combustível é produzida na refinaria de Sines, operada pela Galp, sendo o restante assegurado por importações realizadas pela mesma empresa a partir de vários mercados internacionais, incluindo, até ao início deste ano, o Golfo Pérsico.

A petrolífera tem indicado que “Portugal tem uma dependência parcial do exterior para fazer face às suas necessidades deste combustível”, mas garante que, para já, “não se antecipam disrupções nos próximos meses”, uma vez que o consumo está coberto pela produção nacional, pelos stocks disponíveis e pelas importações. O crude utilizado na refinaria portuguesa tem origem sobretudo no Brasil e na Nigéria.

Apesar desta relativa estabilidade a nível nacional, o cenário europeu é mais frágil. A Comissão Europeia apresentou recentemente um conjunto de medidas para reforçar a segurança no abastecimento de jet fuel, incluindo a criação de um Observatório dos Combustíveis e mecanismos de coordenação entre Estados-membros, fornecedores e operadores do setor aéreo. O objetivo passa por “otimizar a distribuição entre os Estados-membros, a fim de garantir a disponibilidade em todas as regiões e aeroportos”, podendo incluir alternativas como o recurso a fornecedores da América do Norte.

Bruxelas admite ainda rever as regras sobre reservas estratégicas, de forma a incluir requisitos específicos para o combustível de aviação, uma questão particularmente sensível para países como Portugal, devido à sua posição geográfica periférica e à dependência do transporte aéreo para as regiões autónomas. Entre as medidas em análise estão também regras anti-tankering, que visam evitar o abastecimento excessivo de aeronaves fora da União Europeia para contornar preços mais elevados.

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Entretanto, o principal impacto imediato faz-se sentir nos preços. O valor do barril de combustível de aviação disparou cerca de 92%, passando de 95,9 dólares antes do atual conflito para 184,6 dólares, o que já se reflete no custo dos bilhetes de avião e na redução da oferta de voos por algumas companhias. Ainda assim, o setor aeroportuário europeu assegura que não há, para já, falhas no abastecimento: segundo o diretor-geral da ACI, Olivier Jankovec, “neste momento, nenhum aeroporto na Europa tem falta de jet fuel”, defendendo, no entanto, que as medidas europeias são essenciais para “mitigar os riscos potenciais de escassez”, sobretudo face à incerteza em torno da estabilidade no estreito de Ormuz.

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