Portugal pode estar em desvantagem no acesso a uma vacina contra a Covid-19, afirma especialista

O pneumologista, Filipe Froes, considera que Portugal pode estar em desvantagem no acesso a uma vacina contra a Covid-19, uma vez que não é produtor e por isso corre o risco de ser ultrapassado por outros que o são.

Simone Silva

O pneumologista, Filipe Froes, disse esta terça-feira que Portugal pode estar em desvantagem no acesso a uma vacina contra a Covid-19, uma vez que não é produtor e por isso corre o risco de ser ultrapassado por outros que o são.

Em declarações à RTP o especialista refere que o principal problema depois de terminar a  fase três dos ensaios clínicos, será «produzir a quantidade necessária para garantir imunidade e distribuição equitativa».

«Vamos ter muitos países a competir pela distribuição da vacina. Alguns têm vantagem porque conseguem produzir, não é o nosso caso e temos por isso essa fragilidade», defende Filie Froes, sublinhando que os «países produtores terão vantagens e prioridade no acesso à vacina».

Ainda assim, o responsável reconhece que o facto de Portugal ser abrangido pela aquisição de vacinas a nível europeu, pode ser um ponto positivo, que irá «fortalecer» o acesso. «Estamos com a União Europeia (UE) o que nos fortalece», acrescenta.

«Neste momento temos 11 vacinas na fase terminal dos testes, algumas mais avançadas, numa questão de semanas. Primeira conclusão: é bom termos 11 vacinas porque nós vamos precisar de biliões de vacinas. Só, provavelmente, poderemos voltar ao normal quando tivermos vacinas para ter imunidade de grupo», afirmou à estação pública.

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Filipe Froes ressalva que é preciso «ter a noção de que a vacina mais eficaz é aquela que é administrada», alertou. «Estas eficácias que eles agora anunciam são eficácias relativas», isto porque, «os produtos foram administrados a um sub-grupo da população se calhar mais saudável.

Para além disso, o especialista alerta para «vários fatores» que diferenciam cada uma das vacinas, passando, por exemplo, «pela maneira como são fabricadas». Para Filipe Froes estas vacinas constituem um «novo salto tecnológico na vacinação, que provavelmente vai ter imensas repercussões até no futuro. Nas futuras pandemias é provável que existam vacinas mais rápidas à conta desta tecnologia que agora foi feita para responder a esta pandemia», defende.

Contudo avisa que estes resultados ainda não são definitivos, pelo que é necessário ter alguma cautela. «Temos que perceber que estes resultados são preliminares, não estão validados pela comunidade cientifica. São bons mas reportam o valor de eficácia que foi encontrado provavelmente no grupo que tinha mais saúde e maior imuno-competência», afirma acrescentando: «Não se transferem imediatamente para a população».

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«Agora temos de validar esses dados, concluir os estudos, publicá-los na comunidade científica e depois saber na população que precisamos de vacinar qual é a verdadeira eficácia», algo que, segundo o pneumologista, se pode concretizar através de «estudos no terreno com pessoas a ser vacinadas».

 

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