Portugal não resiste a choque petrolífero. Combustíveis podem descer 10 cêntimos por litro

Se as cotações do petróleo e dos produtos refinados permanecem ao nível actual até esta sexta-feira, os consumidores portugueses podem contar com uma das maiores descidas de sempre no preço dos combustíveis.

Ana Rita Rebelo

Se as cotações do petróleo e dos produtos refinados permanecem ao nível actual até esta sexta-feira, os consumidores portugueses podem contar com uma das maiores descidas de sempre no preço dos combustíveis. Segundo apurou a Executive Digest, junto de fonte do sector, o impacto no preço de venda ao público da gasolina e do gasóleo poderá rondar os 10 cêntimos por litro.

Este é, no entanto, um cenário hipotético. «É um dia de cotação. O que conta são os cinco dias da semana, mas admitimos que possa descer 10 cêntimos.»

O coronavírus já tinha castigado os preços, mas desta vez foi a Arábia Saudita (o maior produtor mundial de petróleo) que arrastou as cotações da matéria-prima nos mercados internacionais. Depois de ter afundado mais de 30% neste domingo, o preço da matéria-prima aliviou, mas continua a cair 20%, negociando nos 36 e 32 dólares, em Londres e Nova Iorque, respectivamente.

O petróleo Brent de referência internacional estava a ser negociado a 33,79 dólares por barril – quase 50% no ano até hoje – às 10:45 da manhã de hoje, horário de Singapura, com o West Texas Intermediate a 30,72 dólares. A commodity de referência dos Estados Unidos não registava um trambolhão destes desde a Guerra do Golfo. E os analistas de mercados consideram que esta pressão nas cotações da matéria-prima poderá não ficar por aqui.

O banco de investimento norte-americano Goldman Sachs é um dos mais pessimistas para o petróleo. Perante este contexto de «guerra» entre a Arábia Saudita e a Rússia, prevê que o preço por barril possa cair até aos 20 dólares. Já para os preços da matéria-prima, aponta para preços médios de 30 dólares por barril para o segundo e terceiros trimestres.

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Se antes previa que a cotação média do Brent seria de 52,50 dólares no segundo trimestre e de 55 no terceiro e quarto trimestres deste ano, o JPMorgan antecipa agora valores de 30, 35 e 40 dólares, respectivamente, devido ao desentendimento entre os dois produtores de petróleo.

O Morgan Stanley mostra-se mais pessimista em relação aos preços da matéria-prima por causa do coronavírus, mas especialmente pela guerra entre a Arábia Saudita e a Rússia. Neste contexto, antecipa que o Brent possa vir a recuar para um preço médio de 35 dólares por barril no segundo trimestre deste ano, enquanto o West Texas Intermediate pode chegar a um mínimo de 30 dólares; estes valores comparam com os 57,50 dólares para o Brent e os 52,50 dólares no caso do crude, em Nova Iorque.

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