Portugal ganha quase 22 mil empregos tecnológicos num ano e sobe ao segundo lugar na Europa

Evolução colocou Portugal apenas atrás do Luxemburgo, que registou um crescimento de 9,62%, passando de 26 mil para 28.500 trabalhadores. A Noruega completou o pódio europeu

Executive Digest

Portugal foi o segundo país europeu onde o emprego nos setores de alta tecnologia mais cresceu entre 2024 e 2025, segundo um relatório da PlayersTime. O número de trabalhadores aumentou de 262.100 para 283.900, o equivalente a uma subida de 8,32% e à criação de quase 22 mil postos de trabalho num ano.

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A evolução colocou Portugal apenas atrás do Luxemburgo, que registou um crescimento de 9,62%, passando de 26 mil para 28.500 trabalhadores. A Noruega completou o pódio europeu, com uma subida de 7,54%, de 159.100 para 171.100 empregos de alta tecnologia.

O relatório surge num período em que empresas como a Microsoft, a Amazon e outros grandes grupos tecnológicos estão a reduzir postos de trabalho, ao mesmo tempo que reforçam o investimento em inteligência artificial. Para a PlayersTime, esta transformação está a redesenhar a distribuição das oportunidades e a permitir que mercados europeus de menor dimensão disputem talento e investimento com os tradicionais polos tecnológicos.

A Lituânia ocupa o quarto lugar da classificação, após aumentar a força de trabalho de alta tecnologia de 77.600 para 83.100 pessoas, uma progressão de 7,09%. Segue-se a Alemanha, com um crescimento de 6,16%, para mais de 2,31 milhões de trabalhadores.

Turquia, Chequia, Eslovénia, Bélgica e Bulgária completam os dez países com maior crescimento anual. A Turquia registou uma subida de 6,03%, a Chequia avançou 5,8%, a Eslovénia cresceu 5,36%, a Bélgica aumentou 5,15% e a Bulgária registou uma progressão de 4,66%.

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No caso português, a PlayersTime associa o crescimento à instalação de investidores internacionais, à chegada de trabalhadores remotos e ao desenvolvimento do país como destino para empresas e profissionais tecnológicos. O relatório alerta, contudo, que esta procura também começa a refletir-se no aumento dos preços da habitação e do custo de vida.

O Luxemburgo lidera a classificação depois de ter mais do que duplicado a sua força de trabalho tecnológica ao longo de uma década. O número de trabalhadores passou de 12.800, em 2015, para 28.500, em 2025, apoiado pelo setor financeiro tecnológico, pela atração de profissionais internacionais e pela concentração de funções especializadas.

A Lituânia apresentou igualmente uma expansão expressiva no período analisado. O país passou de cerca de 28 mil trabalhadores de alta tecnologia em 2015 para mais de 83 mil em 2025, quase triplicando a dimensão deste mercado de trabalho.

Apesar de ocupar o quinto lugar em crescimento anual, a Alemanha continua a ter o maior mercado tecnológico da Europa, com 2,32 milhões de trabalhadores. Seguem-se França, com 1,43 milhões, e Espanha, com 1,06 milhões.

Os dados mostram também uma expansão tecnológica no Sudeste da Europa. Turquia, Eslovénia e Bulgária integram o grupo dos dez países com maior crescimento, sugerindo que o emprego especializado está a espalhar-se para além das economias tradicionalmente associadas à inovação digital.

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No extremo oposto da classificação, a Letónia apresentou a maior queda, com uma redução de 7,89% entre 2024 e 2025. Eslováquia e Roménia também registaram diminuições, terminando o período com 113.500 e 207.800 trabalhadores de alta tecnologia, respetivamente.

No conjunto da Europa, o número de trabalhadores nestes setores aumentou de 11,2 milhões em 2024 para 11,5 milhões em 2025, uma subida de 2,75%. O crescimento ocorreu apesar de 11 dos países analisados terem registado uma redução do respetivo contingente de profissionais tecnológicos.

“O que estamos a ver não é uma simples história de crescimento, é uma redistribuição de oportunidades”, afirma Silvana Vladimirova, analista de dados da PlayersTime. Segundo a responsável, a inteligência artificial está a transformar os critérios de contratação, enquanto as empresas recorrem cada vez mais a equipas distribuídas e a mercados onde os custos operacionais são inferiores.

A analista antecipa que esta tendência poderá acelerar, substituindo um mapa dominado por um pequeno número de grandes centros tecnológicos por uma rede de inovação mais dispersa. Nesse cenário, cidades como Lisboa, Varsóvia ou Belgrado poderão ganhar espaço perante polos tradicionais como Londres e Berlim.

Para elaborar o relatório, a PlayersTime analisou 31 países europeus através de 11 indicadores relacionados com demografia, atividade económica, inovação, emprego e habitação. Entre as métricas consideradas encontram-se o crescimento populacional, a evolução dos ecossistemas de startups, os pedidos de patentes, o emprego de alta tecnologia, o produto interno bruto por trabalhador, os salários e os preços das casas.

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Os dados tiveram como fontes entidades como o Eurostat, a Organização Internacional do Trabalho, a Numbeo e a StartupBlink. Os países receberam uma pontuação de acordo com a posição alcançada em cada indicador, destinada a avaliar a evolução recente e o potencial de crescimento em 2026.

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