Segundo uma análise da Informa D&B, comparando com a União Europeia e o resto do mundo, Portugal tem um dos piores registos, 16,3%, ficando em terceiro lugar no Top 5 dos países considerados os piores pagadores entre os 36 países analisados no relatório.
Apenas a Roménia e Israel revelam uma percentagem menor de empresas que paga nos prazos acordados, e, nos últimos anos, têm sido poucas as economias emergentes com níveis cumprimento semelhantes ou inferiores a Portugal.
Já no Top 5 dos países mais cumpridores, a Dinamarca lidera com 88,6%, seguida da Polónia e dos Países Baixos.
A análise acrescenta ainda que apenas 17,3% das empresas portuguesas cumpriam os prazos de pagamentos acordados com os fornecedores, sendo que cerca de dois terços dessas empresas pagam com um atraso de até 30 dias e 7% pagam com um atraso superior a 90 dias.
A pandemia, sobretudo no primeiro ano, prejudicou ainda mais o comportamento de pagamentos nos setores mais atingidos. Desta forma, nos últimos meses de 2020, “o setor do Alojamento e restauração chegou a ter um agravamento superior a 7 dias face ao registado em fevereiro de 2020, baixando depois em 2021, estando atualmente nos 32,8 dias”.
A somar à pandemia está agora a guerra na Ucrânia, e, consequentemente o aumento dos preços da energia, que podem acentuar ainda mais a gravidade dos atrasos nos pagamentos devido à probabilidade crescente do aumento dos custos de operação em várias empresas.
“Os atrasos nos pagamentos são um sinal de debilidade e risco para todo o tecido empresarial. Nos momentos de maior incerteza como o que vivemos, é ainda mais importante que as empresas tenham instrumentos que lhes permitam diminuir os riscos quando escolhem os seus parceiros comerciais”, explica Teresa Cardoso de Menezes, diretora geral da Informa D&B.
As microempresas são as que registam maior percentagem de cumpridoras, mas ao mesmo tempo também têm a maior percentagem de atrasos superiores a 90 dias. A justificação para isto está no facto de serem estruturas mais pequenas e muitas vezes mais fracas e que são mais vulneráveis às consequências dos atrasos nos pagamentos.





