Com a aceleração da transformação digital e o aumento do trabalho remoto provocados pela pandemia, os serviços de rede transformaram-se num fator ainda mais essencial para o funcionamento diário das empresas em todo o mundo. Existem várias tecnologias que mantêm estes serviços em funcionamento. Entre elas destacam-se os cabos submarinos que ligam continentes e países uns aos outros e que já transportam 99% do trafego global.
Nos últimos anos, as redes de cabos submarinos da América e da Ásia têm sido ancoradas em diferentes partes da Europa. A Península ibérica tornou-se um enclave essencial para diversificar a conectividade e evitar a saturação das redes e Portugal tem um papel fulcral neste contexto.
Duas circunstâncias determinam a competitividade da Península Ibérica como um hub de telecomunicações: conectividade internacional, predominantemente através de cabos submarinos e a existência no mesmo território de instâncias das principais plataformas das clouds (“nuvem” em inglês) da Amazon, Microsoft, Google, IBM, que globalmente representam mais de 82% deste mercado de cerca de 130 mil milhões de euros , de acordo com dados da Statista publicados em julho.
Atualmente, Portugal e Espanha estão conectados ao resto do mundo por 35 cabos de comunicação submarinos (25 na Espanha e 10 em Portugal), que atingem 38 cidades na península e nos arquipélagos. Os mais recentes são “Marea”, que liga Bilbao à área de Washington, DC (2016), “Ellalink” (de quem o Conselho de Administração é membro), que conecta a área de Lisboa com a cidade brasileira de Fortaleza (2021), “Equiano”, que também conecta Lisboa com a Cidade do Cabo na África do Sul (2021) e a esperada “Grace Hopper”, que também ligará Bilbao com a área de Nova Iorque e deverá entrar em serviço no próximo ano.

Todas estas infraestruturas de telecomunicações submarinas foram promovidas pelo setor privado, com a participação geralmente dos principais consumidores de sua capacidade (Facebook e Microsoft parcialmente no caso de Marea e Google no caso de Equiano e Grace Hopper) e envolvem investimentos de cerca de 20.000 euros por quilômetro, ou seja, em todos os casos centenas de milhões de euros.
Como refere Carlos Jesus, Country Manager da Colt Portugal e VP Global Service Delivery da Colt, “as principais razões para que a Península Ibérica se torne um hub mundial têm haver com a proximidade de África e América do Sul, eu reforçaria o continente africano, dada a explosão de dados e sendo este um continente que ainda está a desenvolver e a crescer no consumo de dados e na disponibilidade de internet, a partir do móvel”.
Para Carlos Jesus é importante explicar que os “providers” quando se dirigem a empresas como a Colt querem uma integração ibérica, assim esta matéria não deve ser vista “como uma corrida. Temos de ser inteligentes nesse ponto de vista”.
O executivo deu um exemplo: “na Colt fizemos uma ligação direta entre Lisboa, Porto, Porto, Bilbao. Os Providers olham para a Península Ibérica como um todo”. Carlos Jesus lembra que a vantagem geográfica permite que por exemplo a partir da amarração de um cabo submarino em Lisboa se possa ir até Londres via térrea “poupando dinheiro e custos de manutenção”.
Confrontado pela Executive Digest com os desafios do setor o Country Manager da Colt Portugal é rápido a responder: “retenção de recursos humanos, temos um enorme problema de recursos”. E o problema não é só o salário, o executivo lembra que são necessários “transportes regulares, e habitação a preços acessíveis”, já que estes “são fatores que colocam bastante expressão”.




