O calor vai marcar o estado do tempo em Portugal ao longo desta semana, mas o país deverá escapar, pelo menos inicialmente, aos valores mais extremos previstos para outras regiões da Europa. A influência do Atlântico continuará a funcionar como uma espécie de travão, sobretudo junto ao litoral, enquanto no interior os termómetros poderão aproximar-se dos 40 ºC à medida que a semana avança.
As previsões do modelo europeu ECMWF apontam para a expansão, a partir desta segunda-feira, de uma massa de ar muito quente proveniente do Norte de África em direção à Península Ibérica e a grande parte da Europa. França e vários países da Europa Central deverão ficar entre as regiões mais afetadas, num cenário favorável à formação da chamada “cúpula de calor”.
O fenómeno acontece quando uma extensa área de altas pressões permanece sobre uma região e dificulta a renovação do ar, permitindo que o calor se acumule durante vários dias. Portugal deverá ficar numa posição menos desfavorável devido à circulação atlântica, que continuará a moderar as temperaturas, especialmente na faixa costeira.
Isso não significa, porém, uma semana fresca, refere o site especializado ‘Tempo.pt’. O cenário mais provável aponta para temperaturas elevadas e para uma subida gradual a partir de quarta-feira, com o interior novamente a concentrar os valores mais altos. No Alentejo, interior Centro e alguns pontos do interior Norte, as máximas poderão superar os 36 ºC e aproximar-se dos 40 ºC nos locais habitualmente mais quentes.
No litoral, o cenário deverá ser diferente. A proximidade de depressões no Atlântico Norte e a possibilidade de passagem ou aproximação de algumas frentes deverão favorecer períodos de maior nebulosidade e manter a influência marítima, impedindo uma escalada semelhante à prevista para o interior da Península Ibérica.
O contraste deverá ser igualmente evidente durante a noite. Enquanto algumas zonas do interior de Espanha poderão enfrentar noites particularmente quentes, Portugal deverá continuar a beneficiar de um arrefecimento mais significativo, sobretudo no litoral e nas regiões Norte e Centro. No interior, contudo, algumas noites poderão tornar-se mais quentes.
A situação poderá começar a mudar de forma mais evidente na segunda metade da semana. As previsões apontam para uma subida das temperaturas entre quinta e sexta-feira, caso diminua a influência das depressões atlânticas. Nesse cenário, até o litoral poderá aquecer, reduzindo temporariamente a diferença em relação ao interior.
A tendência para o conjunto da semana é, de qualquer forma, de temperaturas acima do habitual para esta altura do ano. As projeções do ECMWF para o período entre 10 e 17 de agosto colocam Portugal entre as regiões europeias com anomalias positivas de temperatura, embora bastante menos pronunciadas do que as previstas para zonas mais continentais da Europa.
Segunda metade de agosto trará surpresas
E há outro sinal que começa a merecer atenção. Depois de um verão marcado em Portugal por episódios de calor intenso relativamente curtos, alguns modelos apontam para uma possível alteração do padrão atmosférico durante a segunda metade de agosto, que poderá favorecer períodos de calor mais persistente.
O ‘Luso Meteo’ considera que o intervalo entre meados de agosto e o início de setembro poderá tornar-se o período mais favorável do verão à ocorrência de calor persistente em Portugal. O cenário dependerá, entre outros fatores, do comportamento do Anticiclone dos Açores e das depressões no Atlântico Norte, pelo que continua sujeito a alterações à medida que o horizonte da previsão aumenta.
Se essa mudança se confirmar, poderão voltar a ser possíveis máximas superiores a 40 ºC nos locais tradicionalmente mais quentes do país. Não significa, contudo, que esteja já prevista uma onda de calor com essa intensidade: trata-se ainda de uma tendência de médio e longo prazo, e não de uma previsão suficientemente consolidada para determinar temperaturas ou duração.
Para já, a semana que começa esta segunda-feira apresenta um cenário mais claro: calor, temperaturas geralmente acima do normal e uma subida mais evidente a partir de meados da semana, mas com o Atlântico a poupar grande parte de Portugal aos extremos que poderão atingir outras regiões europeias.














