Portugal entre os “grinches” do Natal: Ryanair acusa controlo aéreo de arruinar viagens de mais de 600 mil passageiros

Portugal surge entre os países apontados pela Ryanair como responsáveis por perturbações significativas nas viagens de Natal, integrando a lista dos chamados “grinches” do controlo de tráfego aéreo europeu.

Pedro Zagacho Gonçalves

Portugal surge entre os países apontados pela Ryanair como responsáveis por perturbações significativas nas viagens de Natal, integrando a lista dos chamados “grinches” do controlo de tráfego aéreo europeu. A companhia aérea acusa os serviços nacionais de contribuírem para atrasos evitáveis que afetaram dezenas de milhares de passageiros durante o período festivo, devido à escassez de controladores de tráfego aéreo.

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No comunicado divulgado esta quinta-feira, a Ryanair revela que mais de 3.200 voos da companhia sofreram atrasos evitáveis entre 22 e 31 de dezembro, afetando mais de 600 mil passageiros. Segundo a transportadora, a origem do problema esteve na falta de pessoal nos serviços de controlo de tráfego aéreo em vários países europeus, incluindo Portugal, Espanha, França e Alemanha.

De acordo com os dados apresentados, o controlo de tráfego aéreo português foi responsável por 307 voos atrasados, afetando cerca de 55.260 passageiros. Espanha e França lideram a lista negativa, com 1.098 e 999 voos atrasados, respetivamente, correspondendo a 34% e 31% do total de atrasos registados no período natalício. A Alemanha surge também entre os piores desempenhos, com 242 voos e mais de 43 mil passageiros afetados.

A Ryanair considera “inaceitável” o volume de atrasos registados num dos períodos mais movimentados do ano, sublinhando que muitos passageiros viajavam com famílias e crianças pequenas. No comunicado, a companhia afirma que esta situação resulta de má gestão e falhas de planeamento por parte dos prestadores de serviços de controlo de tráfego aéreo, que não asseguraram o número necessário de controladores para responder à procura.

A transportadora volta a exigir uma reforma profunda do sistema europeu de controlo de tráfego aéreo, acusando a Comissão Europeia de permitir que estas falhas continuem a restringir a liberdade de circulação dos cidadãos europeus. A Ryanair defende que os atrasos e cancelamentos poderiam ter sido evitados se os serviços tivessem planeado adequadamente os recursos humanos.

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O CEO da Ryanair, Eddie Wilson, critica duramente a situação, afirmando que “é inaceitável que 600 mil passageiros tenham sofrido atrasos evitáveis este Natal como resultado da escassez de controladores de tráfego aéreo em centros de Espanha, França, Portugal e Alemanha”. O responsável sublinha que os passageiros “deveriam poder viajar pela Europa sem sofrer horas de atrasos e cancelamentos completamente desnecessários”.

Eddie Wilson questiona ainda a falta de ação da Comissão Europeia, apontando diretamente a presidente Ursula von der Leyen. “Quando é que a Comissão Europeia vai deixar de cruzar os braços e implementar uma verdadeira reforma do controlo de tráfego aéreo para proteger os passageiros destes atrasos evitáveis?”, questiona.

No final do comunicado, a Ryanair apela aos passageiros afetados para que visitem a página “Air Traffic Control Ruined Your Flight” e contactem os respetivos ministros dos Transportes, exigindo medidas urgentes. “Chega de atrasos evitáveis — a Europa precisa agora de uma reforma do controlo de tráfego aéreo”, conclui o CEO da companhia aérea.

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