Portugal em risco de ter cortes no consumo de eletricidade ao longo do ano, alerta relatório da DGEG

Portugal poderá enfrentar cortes no fornecimento de eletricidade durante várias horas por ano caso não sejam introduzidas melhorias significativas na operação do sistema elétrico nacional.

Pedro Zagacho Gonçalves

Portugal poderá enfrentar cortes no fornecimento de eletricidade durante várias horas por ano caso não sejam introduzidas melhorias significativas na operação do sistema elétrico nacional. O alerta consta de um relatório recente da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), citado pelo Expresso, que valida as simulações realizadas pela Rede Elétrica Nacional (REN) e conclui que o país não conseguirá cumprir os níveis mínimos de fiabilidade exigidos para a rede elétrica em nenhum dos cenários analisados para os próximos dez anos.

As conclusões surgem mais de um ano após o apagão de 28 de abril de 2025, um episódio que expôs fragilidades na infraestrutura elétrica nacional e que obrigou à recuperação progressiva da ligação à rede ao longo de cerca de 12 horas. Segundo o relatório, os problemas identificados nessa ocasião não desapareceram e continuam a representar um risco relevante para a segurança do abastecimento energético.

De acordo com o documento, a principal preocupação prende-se com a crescente dificuldade em garantir que a produção disponível consiga responder à procura de eletricidade, sobretudo num contexto em que o consumo energético continua a aumentar.

A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) estabelece atualmente como referência um défice expectável máximo de 1,45 horas por ano entre a oferta e a procura de eletricidade. Contudo, as projeções analisadas pela DGEG apontam para um cenário bastante mais gravoso.

Segundo o relatório, o sistema elétrico português poderá já este ano registar um défice de 12,8 horas anuais, um valor quase nove vezes superior ao limite considerado aceitável pela regulação do setor. Na prática, isso significa que poderão existir períodos em que a energia disponível não será suficiente para satisfazer toda a procura, obrigando à adoção de medidas de gestão da rede que podem incluir cortes de consumo.

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Nenhum cenário cumpre os padrões mínimos de fiabilidade
Um dos aspetos mais preocupantes destacados pelo relatório é o facto de nenhum dos cenários avaliados permitir atingir os padrões mínimos de fiabilidade definidos para o sistema elétrico nacional ao longo da próxima década.

A análise contempla diferentes perspetivas de evolução do setor, desde uma trajetória mais conservadora até uma abordagem considerada mais ambiciosa. No entanto, mesmo nas hipóteses mais favoráveis, a DGEG conclui que persistem riscos significativos de insuficiência de capacidade para responder à procura elétrica futura.

Esta realidade reforça os alertas sobre a necessidade de acelerar investimentos e alterações operacionais que permitam aumentar a robustez da rede e garantir a segurança do abastecimento.

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