Portugal está envolvido em 16 dos 57 projetos selecionados pelo Fundo Europeu de Defesa (FED), num conjunto de iniciativas que representam um investimento superior a 500 milhões de euros com participação nacional, avança o ‘Jornal de Negócios’.
No total, a Comissão Europeia aprovou um financiamento de 1,07 mil milhões de euros para reforçar as capacidades de Defesa da União Europeia, envolvendo 634 entidades de 26 Estados-membros e da Noruega.
A participação portuguesa distribui-se por empresas, instituições académicas e até pela Marinha, sempre integrada em consórcios internacionais. Em um dos projetos, Portugal assume mesmo a liderança, através do INESC TEC, numa iniciativa ligada a tecnologias disruptivas para infraestruturas subaquáticas.
Os projetos abrangem várias áreas estratégicas, desde sistemas aéreos com “drones”, veículos terrestres blindados e tecnologias navais, até soluções no espaço. Neste domínio, Portugal integra um consórcio liderado pela Airbus para desenvolver uma constelação de satélites destinada a vigilância, informação e reconhecimento.
Segundo o ‘Jornal de Negócios’, o conjunto de projetos com participação nacional tem um custo estimado de cerca de 500 milhões de euros, com uma comparticipação europeia que pode atingir 421,1 milhões. Em alguns casos, o financiamento pode chegar aos 100%.
Entre as iniciativas destacam-se também projetos de inovação tecnológica, como o desenvolvimento de têxteis avançados para operações de camuflagem ou a criação de um lançador de morteiros eletromagnético, substituindo sistemas tradicionais.
O investimento europeu divide-se entre 675 milhões de euros para desenvolvimento de capacidades militares e 332 milhões para projetos de investigação, com especial enfoque nas pequenas e médias empresas, que representam mais de 38% dos participantes e recebem mais de 21% do financiamento total.
Bruxelas sublinha que este pacote de investimento é central para os objetivos do roteiro de defesa até 2030, incluindo iniciativas como o escudo aéreo europeu, a defesa contra drones e a vigilância reforçada do flanco leste.
A Comissão Europeia espera concluir os acordos de financiamento até ao final do ano, numa altura em que a defesa assume um papel cada vez mais central na estratégia europeia, num contexto de crescente instabilidade geopolítica.













