A demografia é o grande desafio nacional para as próximas décadas. Portugal é o terceiro país mais envelhecido da Europa e o quinto mais envelhecido do mundo. Nascem cada vez menos bebés e cada casal tem, em média, 1,4 filhos, muito longe dos 2,1 que tinham em 1982.

Em declarações à “RTP”, o antropólogo José Manuel Sobral explica que estes números se devem a «questões de natureza estrutural», tem a ver com «a debilidade da economia e também de recursos do próprio Estado português», bem como à «debilidade de políticas públicas» de incentivo à natalidade e à parentalidade que pudessem contrariar essa tendência.

Vive-se agora também um desafio «de incentivo às migrações para Portugal, da gestão de gerações mais velhas», sublinha o sociólogo Pedro Góis. Ou seja, de «aprendermos a conviver todos uns com os outros, sendo todos mais velhos, e sobretudo havendo menos crianças e jovens para cuidarem de nós». Acrescenta ainda que há uma consequência directa de tudo isto: «Há um acentuar da desertificação do Interior do país e uma maior concentração nas cidades».

Neste momento, há mais idosos do que jovens. Há três contribuintes para um pensionista, mas, em breve, a proporção deverá ser de um para um, o que irá implicar uma outra gestão da Segurança Social para que seja sustentável. Hoje, «a despesa está muito concentrada sobre as contribuições dos trabalhadores e dos empregadores. O que vamos ter de encontrar é uma solução que permita manter o pagamento das pensões – acho que isso não está em causa – e encontrar outro tipo de receitas e ajustar que outras despesas não iremos fazer», afirma Amílcar Moreira, especialista em políticas sociais.