Portugal (e a Europa) é cada vez mais um alvo apetecível para o ‘turismo de nascimento’, revelou esta quinta-feira o ‘Correio da Manhã’ – há cada vez mais casais de países com sistemas de saúde mais débeis a viajar ao nosso país para terem os filhos.
“Há casais, oriundos de países asiáticos como a Índia, Paquistão ou Bangladesh, que, quando falta um mês para o fim da gravidez, vêm para Portugal pois os serviços de saúde são melhores do que nos respetivos países de origem”, revelaram ao jornal diário fontes clínicas.
Portugal surge destacado como possível destino para esse tipo específico de turismo em diversos sites internacionais, com os preços, que incluem estadia e cuidados médicos, a arrancar nos 5 mil euros, conforme o país e os extras pretendidos.
O caso da mulher de nacionalidade indiana, que morreu no Hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa, após ser transferida do Hospital de Santa Maria, por falta de vaga em Neonatologia, poderá ser uma destas situações. O viúvo, Satgur Singh, afirmou que o casal viajou desde a Sérvia e que o objetivo da estadia em Portugal era ter a filha por cá. A mulher estava grávida de 31 semanas, ou seja, a nove semanas do fim da gestação.
O facto de o casal não apresentar no Hospital de Santa Maria quaisquer documentos do acompanhamento da gravidez levantou dúvidas. “É preciso verificar o contexto global de toda a situação. É um caso complexo e é importante investigar tudo, não só o que aconteceu após a chegada à Urgência de Santa Maria, mas também o antes”, referiu Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, que criticou a escolha da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde para investigar o caso. “Talvez não seja a entidade mais adequada para investigar o caso como um todo”, explicou.
A possível existência de redes de “imigrantes para lhes serem prestados cuidados de saúde ou de grávidas para terem filhos em Portugal” é deconhecida pelo presidente da Associação Solidariedade Imigrante, Timóteo Macedo. “É uma falsa questão para branquear o que aconteceu. O que se verifica é a falta de políticas de inserção e de acolhimento. É necessária uma mediação sociocultural”, referiu, recordando o caso de uma paquistanesa que teve um filho nado-morto “depois de no centro de saúde não terem compreendido a sua língua”.











