Foram criadas 32.300 novas empresas em Portugal entre janeiro e julho deste ano, menos 4,2% do que no mesmo período de 2025, segundo o mais recente Barómetro da Informa D&B. Apesar da desaceleração, a Construção continua a destacar-se, com quase cinco mil novas empresas criadas desde o início do ano, sendo um dos poucos setores a registar crescimento.
Os dados mostram que, até ao final de julho, foram constituídas menos 1.429 empresas do que no período homólogo. Os setores dos Serviços Empresariais, Construção, Serviços Gerais e Atividades Imobiliárias concentram 59% de todas as novas empresas criadas em 2026, o equivalente a 19.024 constituições.

Entre os principais setores de atividade, apenas a Construção e as Tecnologias da Informação e Comunicação registaram aumentos face ao ano anterior. A Construção contabilizou 4.818 novas empresas, mais 12% do que em 2025, enquanto o setor das TIC somou 2.400 novas constituições, um crescimento de 5,1%.
A Construção consolidou, assim, o segundo lugar entre os setores com maior número de novas empresas, posição alcançada pela primeira vez no mês anterior. As novas constituições concentram-se sobretudo nos distritos de Lisboa (26%), Porto (17%), Braga (10%) e Setúbal (10%).
Já nas Tecnologias da Informação e Comunicação, o crescimento foi impulsionado pelas atividades de consultoria informática e programação, responsáveis por 1.534 novas empresas, mais 12% do que no período homólogo.
No sentido inverso, a Agricultura e Pecuária registou a maior quebra na criação de empresas, com uma descida de 34%, correspondente a menos 348 constituições. Segundo a Informa D&B, este recuo aproxima o setor da média dos últimos anos, após o forte crescimento registado em 2025.
Em termos geográficos, a maioria dos distritos registou uma diminuição no número de novas empresas. As exceções foram Santarém, onde as constituições cresceram 3,3%, Coimbra (+2,1%) e Vila Real (+1,1%). Nas regiões autónomas, a Madeira registou a maior quebra, com menos 205 empresas criadas (-20%), uma descida explicada sobretudo pelo setor dos Transportes.
Encerraram quase sete mil empresas
Nos primeiros sete meses do ano encerraram 6.862 empresas, mais de metade pertencentes aos setores dos Serviços Empresariais, Retalho, Serviços Gerais e Alojamento e Restauração.
Ainda assim, considerando os últimos 12 meses, entre agosto de 2025 e julho de 2026, o número de encerramentos desceu 8,6%, para 14.372 empresas, menos 1.355 do que no período anterior. A redução foi transversal à maioria dos setores, destacando-se os Serviços Empresariais, onde os encerramentos diminuíram 12%.
Em contrapartida, algumas atividades registaram um agravamento, nomeadamente o retalho não especializado por correspondência ou via Internet, onde os encerramentos aumentaram 53%.
Insolvências aumentam 5,2%
O número de empresas com novos processos de insolvência voltou a crescer em 2026. Entre janeiro e julho foram registadas 1.216 insolvências, mais 5,2% do que no mesmo período do ano passado.
As maiores subidas ocorreram nas Atividades Imobiliárias, onde as insolvências mais do que duplicaram (+107%), e na Restauração, que registou um aumento de 23%.
Apesar disso, quase um quarto das empresas com novos processos de insolvência pertence aos setores da Indústria Têxtil e Moda e da Construção, que continuam a concentrar o maior número destes processos.














