Portugal cresce em talento, startups e emprego tecnológico no ranking europeu de 2026

Classificação surge num momento em que a Europa tenta reforçar a sua capacidade de inovação e reduzir a diferença face a outras economias em áreas estratégicas

Executive Digest

Portugal surge entre os cinco países europeus com maior potencial de crescimento em 2026, num ranking elaborado pela ‘PlayersTime‘ que coloca Espanha no primeiro lugar, seguida dos Países Baixos, França e Irlanda. O estudo analisou 31 países europeus a partir de 11 indicadores ligados à demografia, atividade económica, inovação e habitação.

A classificação surge num momento em que a Europa tenta reforçar a sua capacidade de inovação e reduzir a diferença face a outras economias em áreas estratégicas. O relatório destaca que mais de 15,5 mil milhões de euros foram canalizados para empresas europeias de tecnologia profunda, ao mesmo tempo que a União Europeia prepara um fundo de 5 mil milhões de euros para ajudar empresas em fase de crescimento.

Para elaborar o ranking, a ‘PlayersTime’ analisou dados de fontes internacionais como o Eurostat, a Organização Internacional do Trabalho, a Numbeo e a StartupBlink. Entre os indicadores avaliados estão o crescimento da população, os dados dos ecossistemas de startups, os pedidos de patentes, o emprego em alta tecnologia, o PIB por trabalhador, a evolução dos salários e os preços da habitação.

Espanha lidera ranking europeu

Espanha lidera a lista dos países europeus com maior desenvolvimento previsto para 2026. O estudo destaca a combinação entre crescimento populacional, dinamismo empresarial, atividade de startups e evolução do setor da construção.

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Com mais de 32 milhões de pessoas na população ativa, uma base crescente de residentes altamente qualificados, um ecossistema de startups avaliado em 250 mil milhões de euros e um crescimento de 24% na construção ao longo de quatro anos, Espanha é apresentada como uma das economias mais dinâmicas da Europa para viver e trabalhar.

Os Países Baixos ocupam o segundo lugar. Apesar da dimensão territorial reduzida, o país tem mais de 18 milhões de habitantes, 11,45 milhões de pessoas em idade ativa e um mercado de startups avaliado em 141,8 mil milhões de euros. O relatório sublinha ainda a força das cidades compactas, a cultura de mobilidade em bicicleta e a capacidade de escalar rapidamente empregos e ideias em áreas tecnológicas.

França fecha o pódio, com cerca de 68 milhões de habitantes, quase 41,38 milhões de pessoas na população ativa e um ecossistema de startups avaliado em 135 mil milhões de euros. O investimento em tecnologia profunda, inteligência artificial, emprego de alta tecnologia e patentes ajuda a reforçar o peso francês nesta nova geografia europeia do crescimento.

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Portugal combina qualidade de vida e crescimento

Portugal aparece em quinto lugar, atrás da Irlanda, e é descrito no relatório como um dos países que melhor combina qualidade de vida e crescimento económico. A ‘PlayersTime’ destaca a atração internacional de cidades como Lisboa e Porto, bem como o interesse de compradores estrangeiros e trabalhadores remotos.

O relatório assinala, contudo, que essa atratividade vem acompanhada de desafios crescentes na habitação. A procura tem aumentado a pressão sobre os preços, mesmo com valores médios de cerca de 3.700 euros por metro quadrado nos centros das cidades, considerados ainda relativamente acessíveis no contexto europeu analisado.

Outro dado destacado é a evolução da população em idade ativa, que continua a crescer em Portugal, com uma subida de 1,50%. Este indicador contribui para a posição do país no top 5, num ranking em que a dinâmica demográfica, o mercado de trabalho e a inovação têm peso relevante.

Irlanda e Eslovénia em destaque

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A Irlanda ocupa o quarto lugar e é apresentada como uma economia de elevado desempenho, com forte capacidade de atrair empresas, talento internacional e investimento. O país beneficia da força tecnológica de Dublin, da vantagem de ser uma economia de língua inglesa dentro da União Europeia e de níveis elevados de produtividade.

Segundo o relatório, o PIB por trabalhador na Irlanda supera os 230 mil euros, enquanto os rendimentos das famílias estão entre os mais elevados da Europa. O país tem ainda um ecossistema de startups avaliado em 50,2 mil milhões de euros e seis empresas avaliadas em mais de mil milhões de euros.

No top 10 surge também a Eslovénia, em nono lugar, imediatamente antes da Bélgica. Com pouco mais de dois milhões de habitantes, o país é apontado como uma surpresa na lista, por contrariar parcialmente a tendência de concentração do crescimento nas economias mais ricas da Europa Ocidental e do Norte.

Crescimento já não depende apenas da dimensão

O ranking sugere que as economias europeias mais dinâmicas já não são definidas apenas pela dimensão, pela tradição industrial ou pelo peso histórico. A inovação, a capacidade de atrair população ativa, os ecossistemas de startups e a qualidade de vida ganham importância crescente.

Silvana Vladimirova, autora e analista de dados da ‘PlayersTime’, considera que a liderança espanhola desafia a perceção habitual sobre onde se encontram as economias europeias mais rápidas. Em vez de se concentrar apenas nos países nórdicos ou nos mercados tradicionalmente mais produtivos, o estudo aponta para uma nova combinação entre força estrutural e experiência de vida.

A conclusão central é que o crescimento europeu está cada vez mais ligado à capacidade de atrair pessoas, capital e oportunidades. E, nesse retrato, Portugal aparece entre os países que conseguem transformar qualidade de vida, procura internacional e evolução económica em potencial de crescimento para 2026.

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