Portugal compra mais dois satélites para vigiar o Atlântico através de joint venture entre a Força Aérea Portuguesa e o CEiiA

O aumento da constelação permitirá à Força Aérea Portuguesa recolher dados com maior rapidez e frequência, reforçando a monitorização do domínio marítimo atlântico e da Zona Económica Exclusiva (ZEE) portuguesa.

André Manuel Mendes

A Força Aérea Portuguesa vai reforçar as suas capacidades de observação da Terra a partir do espaço com a aquisição de mais dois satélites de radar de abertura sintética (SAR) à ICEYE, fabricante finlandesa especializada em inteligência espacial. O contrato foi celebrado pela CTI Aeroespacial, joint venture entre a Força Aérea Portuguesa e o CEiiA.

Com esta aquisição, Portugal passará a dispor de quatro satélites construídos pela ICEYE. O primeiro satélite SAR soberano português foi lançado em março de 2026 e já está a ser utilizado em operações nacionais. Os dois novos equipamentos foram recentemente inspecionados por militares portugueses nas instalações de produção da empresa, na Finlândia, estando prontos para entrega.

Segundo a ICEYE, o aumento da constelação permitirá à Força Aérea Portuguesa recolher dados com maior rapidez e frequência, reforçando a monitorização do domínio marítimo atlântico e da Zona Económica Exclusiva (ZEE) portuguesa. Além das aplicações na área da defesa e segurança, a tecnologia poderá também ser utilizada para monitorização ambiental, gestão de recursos naturais e resposta a catástrofes.

“Quem vê com clareza age mais depressa e Portugal está a construir a capacidade soberana necessária para o fazer”, afirmou Jordi Laguarda, vice-presidente de Missões para Espanha e Portugal da ICEYE. O responsável acrescentou que a expansão da constelação permitirá melhorar os tempos de resposta e a frequência de observação exigidos pelas missões modernas de defesa e proteção civil.

Também o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, General Sérgio da Costa Pereira, sublinhou a relevância estratégica do investimento. “Esta aquisição reforça a liberdade de ação de Portugal. A capacidade SAR ampliada melhora a prontidão para missões de defesa e segurança, ao mesmo tempo que apoia objetivos nacionais mais amplos, incluindo a monitorização ambiental e a salvaguarda dos recursos naturais”, afirmou.

Continue a ler após a publicidade

A ICEYE considera que a inteligência baseada no espaço se tornou uma necessidade operacional para os países europeus, numa altura em que as questões de segurança e soberania tecnológica ganham maior relevância. A empresa refere que está a acelerar a entrega de sistemas completos de inteligência espacial a sete países europeus, entre os quais Portugal, apoiada por uma recente ronda de financiamento Série F.

A tecnologia SAR distingue-se por permitir a obtenção de imagens da superfície terrestre independentemente das condições meteorológicas ou da luminosidade, tornando-se uma ferramenta valiosa para vigilância marítima, proteção civil, defesa e monitorização ambiental.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.