Portugal continental enfrenta esta quinta-feira mais um dia marcado pelo contraste entre o litoral e o interior, com a instabilidade atmosférica a manter-se sobretudo nas regiões Norte e Centro, onde são esperadas novas trovoadas potencialmente intensas durante a tarde.
Depois dos episódios de mau tempo registados nos últimos dias, que provocaram danos localizados em várias zonas do país, a instabilidade deverá continuar a fazer-se sentir, especialmente nas áreas montanhosas do Interior Norte e Centro, onde as condições atmosféricas favorecem a formação de células convectivas capazes de gerar aguaceiros fortes, granizo e rajadas repentinas. As previsões são do portal especializado LusoMeteo.
O cenário previsto para esta quinta-feira volta a evidenciar a divisão meteorológica que se tem verificado ao longo da semana. Enquanto o Norte e o Centro permanecem sujeitos ao desenvolvimento de trovoadas durante a tarde, o Sul deverá beneficiar de condições muito mais estáveis, com céu geralmente limpo e temperaturas típicas de um dia de verão.
Energia atmosférica favorece trovoadas fortes
Os modelos meteorológicos de alta resolução apontam para valores elevados de energia convectiva disponível na atmosfera, um dos principais ingredientes para a formação de trovoadas.
Segundo as projeções analisadas, os valores de CAPE — indicador que mede o potencial de desenvolvimento de tempestades — poderão atingir os 1500 J/kg em algumas áreas do Norte e Centro do país. A conjugação dessa energia com a humidade disponível e o relevo montanhoso deverá favorecer o aparecimento de células convectivas intensas ao longo da tarde.
Estas condições aumentam a probabilidade de ocorrência de fenómenos localizados de mau tempo, incluindo precipitação forte, granizo e rajadas descendentes associadas às trovoadas.
Nos últimos dias, várias localidades já foram afetadas por fenómenos semelhantes. Entre os exemplos recentes encontram-se situações registadas em Carvalhelhos, no dia 14 de junho, e em Pinhel, no dia 15, onde a instabilidade provocou danos significativos.
Contudo, os especialistas lembram que este tipo de fenómenos é altamente localizado e imprevisível. Enquanto algumas localidades poderão passar o dia sem qualquer ocorrência relevante, outras poderão ser atingidas por tempestades muito intensas durante curtos períodos de tempo.
Movimento lento das células aumenta risco de inundações
Uma das características mais preocupantes da situação prevista para hoje prende-se com a reduzida intensidade do vento em altitude.
A circulação atmosférica fraca favorece o desenvolvimento de células de trovoada com deslocação lenta, o que significa que uma mesma tempestade poderá permanecer durante mais tempo sobre uma determinada área.
Quando isso acontece, as quantidades de precipitação acumuladas podem aumentar rapidamente, elevando o risco de inundações repentinas, enxurradas e acumulações de água em zonas urbanas.
Apesar de os valores de água precipitável não serem particularmente elevados, o risco de granizo poderá ser superior precisamente devido à natureza das massas de ar envolvidas.
Rajadas repentinas podem provocar estragos
Também à superfície o vento deverá manter-se geralmente fraco durante grande parte do dia.
No entanto, a situação poderá alterar-se rapidamente durante a ocorrência de aguaceiros e trovoadas.
As correntes descendentes associadas às células convectivas podem originar rajadas súbitas e fortes, capazes de causar danos localizados, derrubar ramos ou provocar outros incidentes pontuais.
Nas zonas onde não ocorrer precipitação, essas rajadas poderão ainda contribuir para agravar o risco de propagação de incêndios rurais.
Risco de incêndio continua muito elevado
Apesar da previsão de aguaceiros e trovoadas em várias regiões do país, o perigo de incêndio rural mantém-se extremamente elevado.
O calor acumulado ao longo das últimas semanas e a secura da vegetação continuam a criar condições favoráveis à ignição e propagação de fogos.
As previsões apontam mesmo para um agravamento da situação nos próximos dias, com a aproximação de uma massa de ar muito quente proveniente do Norte de África.
De acordo com os dados analisados, cerca de metade do território nacional encontra-se já em níveis máximos de risco de incêndio, cenário que poderá agravar-se significativamente após o fim de semana.
Como estará o tempo em Portugal continental
Para esta quinta-feira espera-se céu geralmente pouco nublado na maior parte do território.
Durante a manhã poderão ocorrer períodos de maior nebulosidade no litoral e em alguns vales da região Centro, situação que poderá persistir em alguns pontos da faixa costeira ocidental.
Até ao final da manhã existe possibilidade de ocorrência de chuva fraca ou chuvisco em zonas do litoral oeste.
Durante a tarde, a nebulosidade deverá aumentar no Interior Norte e Centro, criando condições para o desenvolvimento de aguaceiros e trovoadas.
As regiões montanhosas do Norte e Centro apresentam maior probabilidade de serem afetadas, podendo ocorrer episódios de granizo e precipitação intensa.
O vento soprará geralmente de noroeste, fraco e inferior a 15 km/h. Durante a tarde poderá tornar-se moderado no litoral e nas terras altas, com velocidades entre 15 e 25 km/h e rajadas até 30 ou 35 km/h.
Quanto às temperaturas, prevê-se uma descida das máximas na região Norte, enquanto no Centro e Sul não são esperadas alterações significativas.
A agitação marítima deverá manter-se relativamente moderada, com ondas entre um e dois metros na costa ocidental e até um metro na costa sul do Algarve.
A temperatura da água do mar deverá situar-se entre os 16 e os 18 graus na costa ocidental e entre os 19 e os 21 graus no Algarve.
Os índices de radiação ultravioleta permanecem muito elevados, atingindo valores próximos de 9.
Açores com nova deterioração do estado do tempo
Nos Açores, a frente fria que atravessou o arquipélago durante quarta-feira continuará a influenciar o estado do tempo.
As ilhas do grupo Oriental deverão registar períodos de céu muito nublado e precipitação, enquanto uma nova frente associada a uma depressão atmosférica se aproxima das ilhas Ocidentais ao final do dia.
No grupo Central, embora o tempo se apresente mais seco, deverá manter-se uma sensação de abafamento.
As previsões apontam ainda para um agravamento significativo do estado do tempo no arquipélago a partir de sexta-feira, com aumento da chuva e do vento devido à passagem dessa perturbação.
Madeira mantém padrão estável
Na Madeira não são esperadas alterações relevantes.
O padrão meteorológico deverá continuar semelhante ao dos últimos dias, com maior nebulosidade na costa norte da ilha e condições mais soalheiras e quentes nas vertentes voltadas a sul.
Onda de calor aproxima-se
Apesar da instabilidade prevista para esta quinta-feira no Norte e Centro do continente, os modelos meteorológicos continuam a apontar para uma mudança significativa do estado do tempo nos próximos dias.
A mesma perturbação atmosférica que deverá afetar os Açores irá favorecer a subida de uma massa de ar muito quente proveniente de África em direção à Península Ibérica.
Segundo as projeções atualmente disponíveis, existe potencial para temperaturas extremamente elevadas em várias regiões do país durante a próxima semana.
Os cenários mais intensos apontam para máximas que poderão atingir localmente os 43, 44 ou mesmo 45 graus Celsius.
Embora os especialistas afastem, para já, a possibilidade de Portugal atingir os 50 graus, admitem que valores extremos continuarão a ser uma possibilidade durante os meses mais quentes do verão, num contexto de temperaturas cada vez mais elevadas e episódios de calor mais prolongados.













