Portugal coloca 1.250 milhões de euros em BT a curto prazo com taxas negativas em mínimos históricos

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) colocou hoje 1.250 milhões de euros em dívida a três e 11 meses, continuando a financiar-se a taxas negativas em mínimos históricos.

De acordo com a informação disponível na página da agência financeira Bloomberg, foram colocados 625 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro (BT) com maturidade em 21 de janeiro de 2022 (11 meses), a uma taxa média de -0,524% e 625 milhões de euros em títulos com maturidade em 21 de maio de 2021 (três meses) a uma taxa média de -0,543%.

A três meses, a procura excedeu em 2,87 vezes a oferta e, a 11 meses, a procura excedeu em 2,75 vezes a oferta.

Segundo o economista do Banco Carregosa, Filipe Silva, apesar de nas últimas semanas se ter assistido a uma subida nas ‘yields’ (taxas de rentabilidade) de longo prazo na dívida soberana, este movimento não se fez sentir na dívida de curto prazo.

“A necessidade de apoios dos bancos centrais ainda está bem latente no mercado de crédito, os novos confinamentos vieram trazer ainda mais incertezas relativamente à velocidade da recuperação económica e possibilidade de terem de vir a ser implementadas novas medidas para estimular a economia”, sinaliza.

“As taxas irão continuar baixas e permitir a quem emite dívida que o faça com taxas negativas. O ‘rollover’ da dívida de curto prazo continua com taxas historicamente baixas e que acaba por ser uma ajuda para reduzir os custos de serviço da dívida nacional”, acrescenta.

Nos anteriores leilões de BT a estes prazos, em 19 de agosto de 2020, Portugal colocou 300 milhões de euros a três meses a uma taxa média de -0,501% e 950 milhões de euros a 11 meses a uma taxa de juro de -0,473%.

Naquela data, a procura de Bilhetes do Tesouro atingiu 1.178 milhões de euros a três meses, 3,93 vezes o montante colocado, e 1.948 milhões de euros no prazo mais longo, o dobro do montante colocado.

Em 20 de janeiro, Portugal colocou 1.500 milhões de euros, igual ao montante máximo anunciado, em BT mas a seis e 12 meses, com os juros a descerem para mínimos de sempre.

Depois disso, no dia 03 de fevereiro, Portugal colocou numa operação sindicada 3.000 milhões de euros em dívida com maturidade em abril de 2052 (mais de 30 anos) a uma taxa de juro de 1,006%, tendo a procura atingido mais de 13 vezes o montante colocado (mais de 40.000 milhões de euros).

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