O mercado de trabalho português atingiu no final de 2025 os valores de atividade e emprego mais elevados da sua série histórica. Contudo, os dados da Randstad Research revelam um desafio estrutural persistente: a proporção de trabalhadores com baixa escolaridade em Portugal é o dobro da média registada na União Europeia.
O relatório relativo ao quarto trimestre de 2025, baseado em dados do Instituto Nacional de Estatística, confirma a resiliência da economia nacional, que alcançou os 5,67 milhões de ativos. Este dinamismo refletiu-se diretamente na criação de postos de trabalho, elevando a população empregada para 5,34 milhões de profissionais. No entanto, o retrato qualitativo desta força de trabalho revela um mercado a duas velocidades. Se, por um lado, o grupo dos licenciados é o que apresenta a maior taxa de atividade, por outro, quase 30% dos empregados detêm apenas o ensino secundário obrigatório, um indicador de baixa qualificação que coloca o país em desvantagem face aos seus parceiros europeus.
A estabilidade contratual continua a ser a norma no setor privado, onde mais de 85% dos trabalhadores por conta de outrem possuem contratos sem termo. No setor público, o cenário é igualmente de crescimento, tendo-se atingido um novo máximo histórico com mais de 766 mil profissionais. No que diz respeito aos rendimentos, a tendência de subida consolidou-se com uma remuneração média nacional de 2.171,50€ em novembro de 2025, um aumento homólogo de 5,2%. Lisboa mantém-se como o motor salarial do país, apresentando uma média superior aos 2.500€.
O setor da construção destacou-se como o principal motor de regeneração do tecido empresarial ao longo do último ano. Das mais de 50 mil novas empresas constituídas em Portugal em 2025, o setor da construção liderou a dinâmica de novos negócios. Este otimismo é partilhado pelos setores dos serviços e comércio para o início de 2026, contrastando com uma postura mais cautelosa da indústria.
O encerramento do ano marcou também o regresso em força do teletrabalho, que voltou a crescer após períodos de estagnação. Atualmente, mais de um milhão de pessoas trabalha de forma remota, com o regime híbrido a afirmar-se como a solução preferencial. Este modelo continua, porém, muito centralizado na região da Grande Lisboa e da Península de Setúbal, mantendo uma forte correlação com os níveis de escolaridade superior.
“Os dados de fecho de 2025 confirmam a extraordinária resiliência do mercado de trabalho português, que atinge duplos máximos históricos na atividade e no emprego e apresenta uma taxa de desemprego inferior à média europeia. No entanto, a análise qualitativa mostra-nos o desafio da polarização: temos um número recorde de licenciados, mas mantemos uma base de baixas qualificações muito superior à da UE. Para 2026, a prioridade terá de ser a convergência de competências, garantindo que o crescimento do emprego é acompanhado pelo aumento da produtividade e da qualificação transversal da força de trabalho”, afirma Isabel Roseiro, Diretora de Marketing da Randstad.













