37 533 empresas já foram criadas em 2019, mais 9,6% do que no período homólogo. Há menos 11,4% encerramentos. E insolvências continuam a descer, mas mais lentamente. Avança estudo da Informa D&B.
Os sectores dos Transportes e da Construção estão a ser os principais responsáveis pelo crescimento do número de novas empresas em 2019. No sector dos Transportes nasceram até 30 de Setembro 3 209 empresas, o que representa um crescimento de 120% face a igual período do ano passado. Todo este crescimento é da responsabilidade do subsector do “transporte ocasional de passageiros em veículos ligeiros” (que inclui os “TVDE” em geral) que apresentou um crescimento muito elevado nos 3 trimestres deste ano. Esta subida coincide com a promulgação da Lei 45/2018 que regula a actividade de transporte individual e remunerado de passageiros em veículos descaracterizados a partir de plataformas eletrónicas.
O distrito de Lisboa regista o crescimento mais significativo destas novas empresas, mas tem vindo a alargar-se a outros distritos como o Porto, Setúbal e Faro.
O sector da Construção reforçou a tendência de 2018, registando um aumento de 29,7% de novas empresas face ao período homólogo. Este crescimento registou-se ao longo de todo o ano, em todos os subsectores e distritos.
Em 2018, ano em que foi alcançado o valor máximo na constituição de novas empresas em Portugal, os maiores crescimentos tinham-se verificado nos sectores do Alojamento e Restauração e nas Actividades imobiliárias. Até final do 3º trimestre de 2019, estes dois sectores viram nascer menos empresas, com reduções de -4,9% nas Actividades imobiliárias e de -0,2% no Alojamento e Restauração, no período homólogo. A descida neste sector deve-se sobretudo à queda no subsector do “alojamento de curta duração”, já que a restauração e restante hotelaria regista uma subida em novas empresas, ainda que ligeira.
Esta dinâmica empreendedora tem contribuído para um tecido empresarial pulverizado, com uma enorme quantidade de empresas muito pequenas, com as sociedades unipessoais a representarem nos 9 primeiros meses do ano 2019 mais de metade das novas empresas.
Diferentes tendências nos principais sectores
Os três sectores com maior número de entidades no tecido empresarial registam tendência diferentes. Os Serviços empresariais, apesar de no total dos 9 meses apresentarem ainda uma subida face a 2018, têm já o 2º e 3º trimestres com reduções face aos trimestres homólogos. Os serviços gerais têm uma redução de 1,9%. Esta descida é explicada com a forte descida nos nascimentos dos serviços turísticos em especial no distrito de Lisboa, apesar do crescimento dos nascimentos no subsector da Saúde, desporto e bem-estar. O Retalho aumenta 6,4% o número de novas empresas.
Nas Indústrias, o sector com maior volume de exportações, o nascimento de empresas volta a descer nos 2 últimos trimestres.
A constituição de novas empresas cresce em todos os distritos no 3º trimestre. Apesar de manterem a liderança, Lisboa e Porto perdem peso face a 2018 (representam 40% da subida), com os distritos de Setúbal, Braga, Aveiro e Faro a assumir maior protagonismo, representando 32% da subida no seu conjunto.
Encerramentos de empresas descem 11,4%
Nos 9 primeiros meses do ano encerraram 10 642 empresas e outras organizações, menos 11,4% do que no mesmo período no ano passado, invertendo-se a tendência de subida registada em 2018.
A descida dos encerramentos dos sectores das Indústrias (-296 encerramentos, -24%), Retalho (-273 encerramentos, -13%), Construção (-272 encerramentos, -20%) e Grossista (-270 encerramentos, -23%) representam a quase totalidade (80%) da descida de encerramentos do tecido empresarial.
Agricultura e outros recursos e Actividades Imobiliárias são os únicos sectores com mais encerramentos em 2019 do que em 2018.
Insolvências mantêm descida mas com ritmos mais moderado
1 650 empresas e outras organizações iniciaram um processo de insolvência até final do 3.º trimestre, o que representa uma descida de 9% face ao período homólogo. Apesar desta descida, que se mantém desde 2013, regista-se um abrandamento face ao mesmo período do ano passado.
Este abrandamento da descida nas novas insolvências deve-se sobretudo aos subsectores industriais do Têxtil e Moda e Metalurgias, que registaram respectivamente 238 (+42%) e 54 (+50%) novos casos. O sector das Indústrias em geral, que é aquele com mais processos de insolvência, regista 452 novos casos nos primeiros 9 meses de 2019, uma subida de 19%. Os restantes sectores descem ou mantem o número de novos processos de insolvência, destacando-se a Construção com uma descida significativa (169 novas insolvências, – 32%).













