Porto e Lisboa ganham destaque na corrida europeia pelos nómadas digitais — mas há cidades mais baratas

A competição global para atrair nómadas digitais está a intensificar-se, com a Europa a manter-se como um dos destinos mais atrativos graças à sua infraestrutura, segurança e qualidade de vida

Executive Digest

A competição global para atrair nómadas digitais está a intensificar-se, com a Europa a manter-se como um dos destinos mais atrativos graças à sua infraestrutura, segurança e qualidade de vida — e Portugal continua a destacar-se neste cenário, com Porto e Lisboa entre as cidades mais interessantes para trabalhadores remotos.

Um novo relatório da PlayersTime, que analisou 35 das cidades europeias mais visitadas, coloca o Porto (€1.569 por mês) e Lisboa (€1.745) entre as dez cidades mais acessíveis para nómadas digitais em 2026, consolidando o posicionamento de Portugal como um dos destinos preferidos na Europa Ocidental.

Ainda assim, a análise revela uma forte divisão no continente. Enquanto cidades como Varsóvia (€1.265), Praga (€1.277) ou Cracóvia (€1.423) lideram em termos de acessibilidade, destinos como Dublin (€4.725) ou Reiquiavique (€4.673) exigem orçamentos mais de três vezes superiores para um estilo de vida comparável.

No caso português, o destaque vai sobretudo para o equilíbrio entre custos e qualidade. Apesar de Lisboa apresentar despesas mensais mais elevadas do que o Porto, ambas as cidades continuam a oferecer alguns dos custos de alojamento mais competitivos entre as principais capitais europeias — cerca de €1.310 no Porto e €1.498 em Lisboa — um fator decisivo para trabalhadores remotos.

Este posicionamento permite a Portugal competir diretamente com outras cidades do sul da Europa, como Sevilha (€1.913) ou Atenas (€1.945), mantendo-se mais acessível do que grandes capitais como Madrid (€2.169).

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Por outro lado, o relatório mostra que o custo da habitação é o principal fator de pressão nos destinos mais caros. Em cidades como Dublin, a renda pode representar até 90% das despesas mensais, ultrapassando os €4.300 apenas em alojamento, o que limita significativamente o orçamento disponível para outras despesas.

Outro dado relevante é a variabilidade dentro dos próprios países. Em Espanha, por exemplo, viver em Sevilha pode ser mais de €600 mais barato do que em Barcelona, enquanto na Alemanha há diferenças de centenas de euros entre cidades. Já nos destinos insulares, como Heraklion, na Grécia, os custos podem disparar mais de €1.100 face a cidades do continente.

Para os especialistas, esta transformação reflete uma mudança estrutural no mercado de trabalho e nos padrões de mobilidade. “A acessibilidade, a qualidade da Internet e a segurança estão a tornar-se fatores decisivos na escolha dos nómadas digitais”, sublinha Silvana Vladimirova, analista da ‘PlayersTime’, destacando que cidades menos óbvias estão a ganhar protagonismo face aos destinos tradicionais.

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Num momento em que países de todo o mundo — como o Sri Lanka — lançam vistos específicos para atrair talento remoto, a Europa mantém vantagem competitiva. E dentro do continente, Portugal continua a afirmar-se como uma das apostas mais sólidas para quem procura trabalhar à distância sem abdicar de qualidade de vida.

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