Porta-aviões Roosevelt dos EUA segue para o golfo Pérsico: preparação militar ou pressão sobre o Irão?

Um terceiro porta-aviões norte-americano está a caminho do golfo Pérsico, acompanhado por outros navios e por forças do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos.

Pedro Zagacho Gonçalves

Um terceiro porta-aviões norte-americano está a caminho do golfo Pérsico, acompanhado por outros navios e por forças do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, num movimento que poderá reforçar significativamente a presença militar de Washington na região e abrir novas opções para uma eventual retoma das operações contra o Irão.

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O porta-aviões Roosevelt deixou o porto de San Diego com destino à área de operações e deverá chegar à região durante a primeira metade de novembro, embora a data seja ainda apenas indicativa. O reforço poderá estar relacionado com os preparativos para uma nova ofensiva contra Teerão depois das eleições intercalares norte-americanas, mas também poderá constituir uma manobra destinada a aumentar a pressão militar e política sobre o Irão sem que esteja tomada qualquer decisão sobre o regresso aos ataques.

Quando chegar ao golfo Pérsico, o Roosevelt poderá substituir um dos dois porta-aviões norte-americanos que já se encontram na região, o Washington ou o Bush. Outra possibilidade será a manutenção dos três navios no teatro de operações, o que elevaria o dispositivo militar norte-americano para mais de 50 mil efetivos.

Ao mesmo tempo, está previsto o envio do grupo anfíbio do Makin Island, com cerca de 4.000 Marines. A força deverá juntar-se ao grupo do Boxer, que conta com um número semelhante de militares.

Washington prepara diferentes opções militares
O reforço do dispositivo pretende proporcionar à Casa Branca um conjunto mais amplo de opções caso Donald Trump decida retomar o conflito com o Irão, uma possibilidade que o Presidente norte-americano tem ameaçado concretizar em várias ocasiões.

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Entre os cenários considerados estão ataques de grande dimensão contra alvos militares iranianos, a expansão da campanha aérea para atingir infraestruturas ou, num cenário de maior risco, operações de desembarque destinadas a conquistar o controlo de uma ilha ou de outro ponto considerado estratégico.

Uma operação deste último tipo envolveria riscos particularmente elevados, devido à natureza do confronto e à capacidade de resposta iraniana.

Paralelamente ao reforço naval e das forças de Marines, o Pentágono enviou novas baterias de defesa antimíssil Patriot para o Qatar e para a Arábia Saudita.

Estes sistemas são considerados fundamentais para reforçar a proteção das forças e instalações norte-americanas e aliadas na região. O escudo defensivo, contudo, tem demonstrado vulnerabilidades e os Guardiões da Revolução iranianos conseguiram ultrapassá-lo em várias ocasiões.

A capacidade de resposta dos sistemas Patriot também é condicionada pela existência de reservas limitadas. Além disso, alguns dos países aliados tendem a utilizar esses sistemas de forma considerada pouco eficaz.

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Petróleo e bases dos EUA estão entre os principais riscos
Existe também uma preocupação generalizada sobre as consequências de uma eventual resposta iraniana a uma nova ofensiva norte-americana.

A avaliação não resulta apenas das ameaças feitas por Teerão. Existe a perceção de que uma retaliação poderia atingir instalações petrolíferas e bases militares dos Estados Unidos espalhadas pela região.

A possibilidade de uma nova escalada ocorre num contexto em que o estreito de Ormuz continua no centro da disputa entre os dois lados. A passagem marítima é fundamental para o transporte de petróleo e tornou-se também palco de operações militares e de uma intensa disputa de versões sobre a evolução do conflito.

Irão intensifica ataques contra navios no estreito de Ormuz
Desde agosto, o Irão tem lançado, em média, 30 drones suicidas e dez mísseis antinavio por semana. Os ataques têm como objetivo atingir petroleiros que procuram atravessar o estreito de Ormuz através de uma rota pelas águas de Omã protegida pelos Estados Unidos.

Dados publicados pelo The New York Times indicam que, desde 10 de setembro, pelo menos 13 navios foram atingidos, alguns dos quais sofreram danos significativos.

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As operações dos Guardiões da Revolução procuram recuperar o controlo total do estreito, depois de as monarquias do Golfo, com apoio norte-americano, terem conseguido aumentar as exportações de petróleo através da utilização de petroleiros de menor dimensão e de operações de transferência de carga entre navios.

Estas operações permitiram aumentar a quantidade de petróleo que chega aos mercados, mas também deram origem a uma disputa sobre a verdadeira dimensão do controlo iraniano sobre a passagem marítima.

Washington sustenta que o petróleo continua a chegar aos mercados e que a capacidade do Irão para controlar o estreito de Ormuz diminuiu. Esta interpretação é apoiada por dados divulgados por empresas especializadas.

Teerão contesta essa leitura e recorreu a analistas para questionar a versão norte-americana. Esses especialistas reconhecem que o controlo iraniano sobre o estreito é atualmente mais limitado, mas defendem que a República Islâmica continua a deter os principais instrumentos de pressão sobre a passagem marítima.

A situação poderá tornar-se ainda mais grave se Trump autorizar uma nova fase da operação Epic Fury. Existem advertências de que uma eventual resposta iraniana poderia assumir uma dimensão muito ampla e sem limites claramente definidos.

Um novo fator de tensão pode surgir no terrorismo
Além da frente militar e da disputa pelo controlo do estreito de Ormuz, existe outro elemento que poderá influenciar as decisões da Casa Branca: o terrorismo.

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Donald Trump acompanha de perto as investigações relativas ao alegado atentado frustrado contra a base da RAF de Fairford, no Reino Unido. O episódio poderá apontar para uma eventual ligação ao Irão, embora continuem por esclarecer várias questões relacionadas com o caso.

Cinco pessoas inicialmente suspeitas foram posteriormente libertadas.

Na quinta-feira, a polícia britânica deteve ainda um cidadão britânico de origem iraniana no âmbito da investigação, aumentando a atenção em torno de uma possível dimensão iraniana do caso.

Até ao momento, porém, permanecem dúvidas sobre a ligação entre o episódio e Teerão.

Incidente com voo da Flydubai também é associado ao Irão
Trump relacionou igualmente o Irão com o incidente ocorrido a bordo de um voo da Flydubai, num episódio que também poderá contribuir para a pressão política sobre Teerão.

Contudo, não surgiram até agora provas de que o copiloto envolvido tivesse ligações a organismos oficiais iranianos ou a grupos próximos do regime islâmico.

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A ausência dessas provas mantém em aberto a possibilidade de o episódio vir a ser utilizado politicamente sem que exista, até ao momento, uma confirmação de uma ligação oficial iraniana.

Roosevelt chega numa altura de elevada tensão
O envio do Roosevelt para o golfo Pérsico ocorre, assim, num cenário em que os Estados Unidos reforçam os seus meios militares, o Irão mantém operações contra navios no estreito de Ormuz e Washington e Teerão continuam envolvidos numa disputa sobre o controlo da principal rota marítima de transporte de petróleo da região.

A chegada prevista para a primeira metade de novembro poderá coincidir com um período posterior às eleições intercalares norte-americanas. O calendário alimenta a possibilidade de o novo dispositivo estar relacionado com uma eventual decisão de Washington sobre o futuro das operações contra o Irão.

Ainda assim, o reforço militar não significa necessariamente que uma nova ofensiva tenha sido decidida. A presença de mais um porta-aviões, de navios de apoio e de milhares de Marines poderá também servir para aumentar as opções disponíveis para a administração norte-americana e reforçar a sua capacidade de resposta perante diferentes cenários.

O Roosevelt poderá substituir um dos porta-aviões já estacionados na região ou juntar-se aos restantes, enquanto o Makin Island e o Boxer reforçam a componente anfíbia. Ao mesmo tempo, o envio de baterias Patriot para o Qatar e a Arábia Saudita procura reforçar a defesa das forças norte-americanas e aliadas perante uma eventual resposta iraniana.

Entre o reforço militar, os ataques contra navios, a disputa pelo estreito de Ormuz e as investigações sobre possíveis episódios ligados ao terrorismo, Washington dispõe agora de um dispositivo preparado para diferentes possibilidades. A questão central permanece, contudo, saber se esse reforço representa apenas uma manobra de pressão e dissuasão ou se poderá anteceder uma nova fase do confronto militar entre os Estados Unidos e o Irão.

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