Por Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati
Porque ninguém lhes pede contas? Porque não são Confrontados com previsões feitas e resultados reais? Talvez porque é desconfortável, nós Portugueses não temos este hábito de confrontação… (não o fazemos com os programas políticos, porque o havemos de fazer com as previsões económicas). Mas temos de recordar que o exercício de previsão e estimativa não é fácil. Os ciclos de kondratiev são abalados pelo mundo BANI em que vivemos. Prever um crescimento baseado em prerrogativas que mudam drasticamente a meio do ciclo de previsão, deve ser um exercício de “cartomante”. Talvez por isso possa entender porque é que o programa do governo não foi ajustado a este novo cenário, mas é melhor ter uma previsão actualizada do que uma que sabemos que está errada. E este devia ser o cenário novo e conhecido macroeconómico do orçamento de estado que contemplasse as variáveis conhecidas: guerra na Ucrânia, inflação de cerca de 5% com perda óbvia de poder de compra dos cidadãos (num governo que sempre contou com o consumo interno como factor de crescimento do PIB), risco (quase certo) de aumento das taxas de juro (risco de aumento dos custos da dívida pública embora com maior impacto no médio prazo), aumentos dos custos da energia, dificuldades nas cadeias de abastecimento que podem comprometer o crescimento económico, necessidade de aumento do orçamento da defesa, a pandemia de covid 19 ainda não ter sido considerada uma endemia, redução do crescimento nos países de destino das nossas exportações como a Espanha, o inverno demográfico que vivemos… tantos factos novos face ao anterior cenário macroeconómico que já estava mal definido em novembro de 2021, que impunham um novo orçamento de estado. O único factor positivo é a estabilidade política embora julgo que apesar da maioria absoluta, não existam reformas profundas no sistema político, de modernização administrativa, na justiça, na educação… valha-nos o futebol e a qualificação para o mundial do Qatar!




