Porque devem as empresas abraçar a diversidade?

Por Fernando Braz, country leader da Salesforce Portugal

A resposta mais simples é também a mais importante: criar um grupo de trabalho diversificado e inclusivo é simplesmente o mais certo a fazer.

Mas aqui existe também um business case. Organizações com diversidade refletem a sociedade de forma muito mais precisa. E quando um grupo de colaboradores representa de forma justa diferentes idades, nacionalidades, géneros, culturas e indivíduos portadores de deficiência, isto dará origem a uma infinidade de perspetivas, ideias e talentos. E existem pesquisas que o comprovam. Um relatório recente da McKinsey reafirmou a ligação entre a diversidade de uma empresa – definida com uma maior proporção de mulheres, bem como uma maior composição étnica e cultural – e o seu desempenho financeiro.

Em última análise, a diversidade é a chave para se desenvolverem ligações mais profundas com os clientes. Por esse motivo, todas as empresas têm a responsabilidade de se tornarem mais inclusivas e incentivarem todos a aprenderem e a enfrentarem desafios maiores.

Embora já tenham sido feitos grandes avanços em Portugal, sabemos que ainda existe muito trabalho pela frente.

A prioridade de uma empresa deverá estar no desenvolvimento de um grupo de colaboradores que reflita as diversas comunidades a que se dá resposta. E assim se conseguem colaboradores que se sintam confiantes, realizados e capacitados, que sentem que podem trazer o seu verdadeiro ‘eu’ para o trabalho e ter a certeza de que terão oportunidades de progresso e crescimento.

E aqui já se percorreu um longo caminho. Na jornada de uma empresa, perceber que incorporar a diversidade e a inclusão (D&I) e desenvolver uma nova geração de líderes não pode ser tratado como uma reflexão tardia ou algo a fazer no futuro – precisa de ser integrado em cada etapa da experiência do colaborador. E isso precisa de acontecer agora.

Uma abordagem integrada

Tendo isto em conta, aqui ficam algumas estratégias que podem ajudar a tornar a diversidade, inclusão e capacitação, em princípios fundamentais da cultura do escritório.

Investir em programas de liderança e mentoring

Um negócio verdadeiramente diverso deve incluir líderes que sejam diversos. Contratar talentos de liderança é, obviamente, uma opção. Mas as empresas inteligentes devem pensar a longo prazo. Inscrever minorias sub-representadas em programas de mentoring, hoje, garante que a liderança de amanhã seja muito mais inclusiva.

O investimento na mobilidade da carreira também prova aos colaboradores que existe um compromisso da empresa com o seu desenvolvimento – tornando-os mais orgulhosos em trabalhar para a sua organização.

Capacitar redes de diversidade

Os números têm poder – e isso é algo de que as empresas precisam tirar partido. Ao encorajar a formação de redes internas de diversidade, a voz coletiva dos colaboradores sub-representados passa de um ‘sussurro’ para um ‘rugido’.

As redes são essenciais para garantir que a diversidade e inclusão (D&I) permaneçam no topo da agenda empresarial. É importante reforçar que estas facultam uma rede de suporte para diversos indivíduos, permitindo que se tornem verdadeiros agentes de mudança.

Adotar práticas de negócios inclusivas

As empresas devem analisar profundamente todas as suas práticas de negócios e questionar-se como se podem tornar mais inclusivas. Tudo, desde a contratação e integração, a promoções e previsão de “material de liderança” – as empresas precisam de melhorar a tomada de decisões. Estas devem garantir que cada processo é considerado através de uma lente de D&I e que estão a fazer tudo o que podem para incluir, aumentar e capacitar as minorias.

Não se pode melhorar o que não se pode medir

Todas estas estratégias dependem de algo muito relevante: medição. Construir um grupo de trabalho diversificado, inclusivo e capacitado – reconhecendo e tratando os colaboradores como partes interessadas – é fundamental para o sucesso dos negócios. E, assim como qualquer projeto importante, isso requer escrutínio e medição.

Ao estabelecer metas tangíveis, as empresas podem manter o foco na diversidade e no desenvolvimento de liderança inclusiva ao longo de todo o ano. Saberão exatamente o que funciona e – mais importante – podem ser responsabilizadas quando os objetivos não são cumpridos.

Na verdade, nunca foi tão importante promover um grupo de trabalho diversificado e capacitado. Uma abordagem inclusiva baseada em dados é a forma mais eficiente de cultivar uma cultura que realmente reflita a sociedade e ofereça oportunidades para todos.

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