Por onde passa o futuro da educação?

Por Fabio Rodriguez, region manager de Portugal e Espanha da OrCam Technologies

A indústria da educação encontra-se em crescimento por duas razões: por um lado existem cada vez mais jovens no mundo para serem ensinados e, por outro, o nível de educação médio no seio da população global tem vindo a aumentar. De facto, tornar a educação uma prioridade na agenda mundial tem sido algo verificado na última década: um dos objetivos de Desenvolvimento das Nações Unidas para o milénio apontava para atingir a educação primária até 2015 e, nesse ano, 91% das crianças em regiões em desenvolvimento estava na escola.

A par e passo com esta evolução, é certo que a tecnologia está a transformar a maneira como vivemos e pensamos, estando esta mudança a acontecer de uma maneira mais rápida e a uma escala maior do que qualquer outra altura na história da humanidade. Os computadores são não só programados para concretizar tarefas humanas, mas também para aprender a fazer tarefas sozinhos, aplicando para isso o seu poder de processamento a grandes conjuntos de dados. Em apenas alguns anos, é esperado que tecnologias como inteligência artificial, robótica, nanotecnologia e impressão 3D transformem a maioria das profissões.

De acordo com o Relatório Future Jobs do World Economic Forum, no futuro, uma grande variedade de ocupações irá necessitar de um maior grau de capacidades cognitivas – criatividade, lógica e sensibilidade para resolução de problemas – como parte do seu conjunto de habilidades. O mesmo estima que metade das atividades laborais atuais poderão ser automatizadas até 2055, e 60% das ocupações poderá ter até 30% das suas atividades rotineiras automatizadas.

Esta visão do futuro surge em contraste com o mundo para o qual as escolas e universidades foram desenhadas para preparar e servir. A educação formal como hoje a conhecemos foi implementada na altura da primeira revolução industrial, sendo que as escolas na altura serviam o propósito de produzir uma força de trabalho pontual e obediente, apta para o trabalho de fábrica. Atualmente, num mundo muito diferente e profundamente impactado pela tecnologia, é importante que a educação não só melhore as mentes das crianças como também as equipe com as ferramentas para vingar no mundo de amanhã. Há medida que os criadores, programadores e designers emergem da força estudantil da criativa geração Z e Alfa, este grupo terá difíceis desafios globais para solucionar – e estarão que estar preparados para os solucionar.

Neste sentido é imperativo que a educação seja reformulada para o século XXI. A revolução digital a que temos assistido na maioria dos setores ainda não atingiu a educação por completo – mas é inevitável que o faça. A automatização completa virá pela transformação progressiva da inteligência artificial, machine learning e do ensino em tempo real, bem como das experiências de aprendizagem.

As tecnologias e ferramentas disponíveis hoje trarão ainda mais poder à educação, o que permitirá uma aprendizagem on-demand, o que por consequência tornará a experiência educativa muito mais personalizada e capaz de ser dada de forma customizada. Em conjugação, cada vez mais as experiências de aprendizagem terão lugar no espaço virtual, o que permitirá que os alunos se tornem contribuidores e participantes em conversas para resolver e transformar os desafios educacionais e globais. Isto removerá também muitas das barreiras culturais e geográficas da aprendizagem, tornando-a uma experiência cada vez mais acessível.

Adicionalmente a estrutura de aprendizagem e a importância dos educadores mudarão, pois estes tornar-se-ão facilitadores ativos, ao invés das atuais estruturas de apoio para os estudantes. Os professores e educadores ditarão a importância de investigação relevante, da integridade intelectual da ética da cibertecnologia e ensinarão como manter as relações humanas uma prioridade elevada, de modo a aprender e compreender com empatia do passado, da atualidade e das possibilidades futuras.

Por fim, e de modo a atingir sistemas preparados para o futuro com educação de qualidade, é necessário investir na infraestrutura e literacia digital, evoluindo para aprender como se deve aprender, rejuvenescendo a aprendizagem a longo prazo e reforçando as ligações entre a educação formal e não formal. Para isto é necessário aproveitar os métodos de entrega flexíveis, as tecnologias digitais e os programas educativos modernizados – assegurando simultaneamente o apoio a professores e comunidades.

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