Popularidade de Putin cai para mínimo desde início da guerra na Ucrânia, revela sondagem estatal

A taxa de aprovação de Vladimir Putin caiu para 65,6%, o valor mais baixo desde o início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

Pedro Zagacho Gonçalves

A taxa de aprovação de Vladimir Putin caiu para 65,6%, o valor mais baixo desde o início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, segundo dados divulgados pelo centro estatal de sondagens VTsIOM. Trata-se da sétima semana consecutiva de descida na avaliação do presidente russo.

Os números agora publicados indicam também uma quebra no índice de confiança no chefe de Estado, que recuou para 71%, depois de ter estado acima dos 77% em março. No mesmo mês, a taxa de aprovação situava-se nos 73,3%, o que significa que, em poucas semanas, o apoio registado pelo instituto oficial sofreu uma redução significativa.

A queda prolongada da popularidade ocorre num contexto marcado por dificuldades económicas e restrições no acesso à internet. Não é claro, segundo os dados disponíveis, o que explica diretamente a descida dos indicadores, embora, na semana passada, Putin tenha ordenado aos seus principais responsáveis governamentais que apresentassem medidas para relançar a economia, após uma contração registada nos dois primeiros meses do ano.

Nos últimos meses, o reforço das restrições ao acesso à internet móvel, a serviços de mensagens e a redes privadas virtuais (VPN) tem gerado frustração entre muitos cidadãos russos. Na quinta-feira, Putin afirmou que as interrupções no serviço de internet eram necessárias por razões de segurança, mas defendeu que as autoridades policiais devem demonstrar “engenho” na procura de soluções que garantam o funcionamento dos serviços essenciais.

Um líder no poder desde 1999
Vladimir Putin, antigo tenente-coronel do KGB destacado na Alemanha de Leste aquando do colapso da União Soviética, foi nomeado presidente interino por Boris Ieltsin oito anos após o fim da URSS. Desde 1999, lidera a Rússia, alternando entre os cargos de presidente e primeiro-ministro.

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Se completar o atual mandato de seis anos, ultrapassará Josef Stalin e tornar-se-á o governante russo com maior permanência no poder desde a imperatriz Catarina, a Grande.

Apesar da descida recente, os níveis de aprovação mantêm-se elevados quando comparados com padrões políticos ocidentais. Ainda assim, os números revelam uma erosão face ao período imediatamente posterior à invasão da Ucrânia, quando a popularidade de Putin subiu de 64,3% para valores próximos dos 80%. Desde então, segundo o VTsIOM, a taxa manteve-se acima dos 75% durante grande parte do conflito, com quebras pontuais após o anúncio da mobilização militar em 2022.

Debate sobre credibilidade das sondagens
Em contexto de guerra e forte censura estatal, a fiabilidade das sondagens na Rússia é alvo de debate. Os apoiantes de Putin sublinham os dados que apontam para uma aprovação alargada da sua liderança, enquanto os críticos questionam até que ponto os cidadãos se sentem livres para expressar opiniões divergentes num ambiente político altamente controlado.

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A divulgação dos novos números ocorre também num momento politicamente sensível, com eleições parlamentares previstas até ao final de setembro. Nos últimos tempos, alguns bloggers e políticos têm feito alertas públicos invulgares, defendendo a necessidade de mudanças no país para evitar riscos de instabilidade social.

Evolução dos restantes líderes políticos
Os dados do VTsIOM mostram ainda alterações nos níveis de confiança atribuídos a outras figuras políticas russas. A taxa de confiança no primeiro-ministro Mikhail Mishustin desceu para 53,8%. Já o antigo presidente Dmitry Medvedev registou uma subida para 36,8%.

Também os líderes partidários da oposição parlamentar viram os seus indicadores crescer: Gennady Zyuganov, dirigente comunista, subiu para 32,7%, enquanto Sergei Mironov, líder do partido Rússia Justa, alcançou 29,8%.

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