Poluição por plástico nos oceanos pode ser muito maior do que o previsto, alerta especialista

É provável que o aumento de poluição microplástica nos oceanos tenha sido subestimado, de acordo com estudos que sugerem que existe pelo menos o dobro do número de partículas poluentes, do que se pensava anteriormente, avança esta sexta-feira o ‘The Guardian’.

Sabe-se que a poluição de plásticos prejudica a fertilidade, o crescimento e a sobrevivência da vida marinha. As partículas menores são especialmente preocupantes porque são do mesmo tamanho dos alimentos ingeridos pelo zooplâncton, que sustentam a cadeia alimentar marinha e desempenham um papel importante na regulação do clima global.

Os novos dados sugerem que pode haver mais partículas microplásticas do que o zooplâncton em algumas águas, um facto preocupante. «Actualmente, a estimativa da concentração de microplásticos marinhos pode estar muito subestimada», disse Pennie Lindeque, do Laboratório Marítimo de Plymouth, no Reino Unido, que liderou o estudo.

A especialista referiu que pode muito bem haver partículas ainda menores do que aquelas capturadas pelas redes de malha fina, o que significa que os números «podem ser ainda superiores».

Um outro novo estudo mostra como os microplásticos entraram na cadeia alimentar dos rios, existindo aves que consomem centenas de partículas por dia através dos insectos aquáticos nos quais se alimentam. Os cientistas descobriram que os pássaros estavam a ingerir cerca de 200 pedaços de plástico por dia, na sua grande maioria fibras.

A poluição microplástica contaminou todo o planeta, desde a neve do Ártico e solos das montanhas, até muitos rios e oceanos mais profundos.

«Sugerimos que as concentrações microplásticas possam ultrapassar as 3.700 partículas por metro cúbico, o que é muito mais do que a quantidade de zooplâncton que devíamos encontrar», disse Lindeque.

O impacto na saúde das aves ainda não está esclarecido. «É imperativo entendermos se os microplásticos fazem aumentar os outros problemas de poluição que afectam os rios e usarmos esse conhecimento para corrigirmos a situação», disse Steve Ormerod, da Universidade de Cardiff.

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