Poluição por metano está a atingir valores alarmantes. Já suplanta níveis anteriores à revolução industrial

O metano atingiu recentemente 1.900 partes por mil milhões na atmosfera, segundo medições da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos

Francisco Laranjeira

O metano atingiu recentemente 1.900 partes por mil milhões (ppb) da atmosfera da Terra, de acordo com medições feitas pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos – um número que suplanta o registado antes da revolução industrial, que se situou em cerca de 799 ppb.

O metano é um poderoso gás de efeito estufa, que dura cerca de nove anos no ar – incluindo os efeitos indiretos que tem sobre os outros gases, o seu impacto total no aquecimento global desde 1750 é aproximadamente metade do CO2. Depois de subir acentuadamente nas décadas de 1980 e 1990, o metano atmosférico estabilizou-se. A tendência de crescimento foi retomado em 2007 e acelerou nos últimos anos – o aumento mais acentuado registado ocorreu em 2020.

Então, o que está a causar este recente aumento e existe alguma maneira de reverter isso?

São libertados na atmosfera, a cada ano, 600 milhões de toneladas métricas de metano. As estimativas apontam que dois quintos dessas emissões vêm de fontes naturais, principalmente vegetação em decomposição nos pântanos. Os restantes três quintos chegam de fontes ligadas à atividade humana.

A agricultura, que produz cerca de 150 milhões de toneladas métricas por ano, é a maior fonte global, assim como os aterros urbanos e os sistemas de esgoto, que contribuem com cerca de 70 milhões de toneladas métricas anualmente.

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Os cientistas podem identificar as fontes de metano ao estudar a proporção de carbono-12 para carbono-13 na atmosfera. Essas diferentes formas de carbono – quimicamente semelhantes mas com massas diferentes – são conhecidas como isótopos. O metano biogénico, produzido por micróbios em vegetação podre ou em estômagos de vacas, é relativamente rico em carbono-12 ao passo que o metano de combustíveis fósseis e incêndios têm comparativamente mais carbono-13.

A monitorização global mostrou que, desde 2007, o crescimento do metano na atmosfera foi liderado por fontes nos trópicos e subtrópicos – em alguns anos, as altas latitudes setentrionais também foram importantes contribuintes. De pântanos tropicais na Amazónia, bacias do Nilo e Congo à tundra na Rússia e pântanos almiscarados no Canadá, os pântanos emitem cerca de 200 milhões de toneladas métricas de metano por ano. À medida que as temperaturas globais aumentam, a taxa na qual as zonas húmidas geram e decompõem a biomassa cresce, fazendo com que esses ambientes libertem mais metano.

As emissões de metano aceleram as mudanças climáticas e as mudanças climáticas causam a libertação de mais metano – um círculo vicioso que importa travar. O metano a atingir os 1.900 ppb é causa para alarme. Não podemos parar as emissões naturais das zonas húmidas mas as emissões causadas pelo homem podem ser reduzidas rapidamente. Na COP26 em Glasgow – a mais recente cúpula da ONU sobre mudanças climáticas em novembro de 2021 – mais de 100 nações assinaram o ‘Global Methane Pledge’, prometendo reduzir as emissões de metano em 30% até 2030.

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