Os níveis de poluição da China podem ajudar a medir o efeito do coronavírus na economia do país. Na base deste sistema está a constatação de que as principais cidades chinesas estão, habitualmente, cobertas de smog – uma combinação de fumo e nevoeiro. Tendo em conta que este fenómeno tem origem na poluição causada pela produção industrial, verifica-se que ar mais limpo será sinónimo de fábricas paradas.
Segundo adianta a CNBC, algumas províncias chinesas começam, gradualmente, a abrir as suas fábricas e a retomar a produção. O governo já garantiu também, na passada quarta-feira, que a taxa de regresso ao trabalho chega aos 50% em algumas companhias industriais em regiões consideradas cruciais, como é o caso de Guangdong ou Xangai.
No entanto, no acumulado do ano, os níveis de poluição têm estado entre 20 e 25% mais baixos do que no mesmo período de 2019, de acordo com dados divulgados pelo Tapas Strickland of National Australia Bank (NAB). Estes números sugerem que a actividade industrial está a ser significativamente inferior à registada no ano passado.
Rodrigo Catril, senior foreign exchange strategist do NAB, considera que as notícias divulgadas pelo governo chinês de que as fábricas estão a voltar ao trabalho deveriam ser recebidas com optimismo. Porém, os dados referentes aos níveis de poluição e o tráfego automóvel não corroboram estas informações, garante o responsável.
Por exemplo, no passado dia 20 de Fevereiro, o consumo diário de carvão de seis das principais centrais energéticas foi 42,5% inferior ao do ano passado, segundo a financeira japonesa Nomura. «O ritmo foi lento devido à falta de trabalhadores e a critérios restritos para reabertura», explica Sin Beng Ong, da JP Morgan.
Além da poluição, também outras métricas como trânsito ou número de passageiros podem servir como indicadores da actividade económica. O banco Nomura sublinha que a taxa de regressos dos trabalhadores em 15 cidades foi de 25,6%, a 19 de Fevereiro, o equivalente a cerca de um quarto do verificado no período homólogo do ano passado (considerando a pausa para celebrar o Novo Ano Chinês).
Há que ter em consideração, no entanto, as pessoas que trabalham a partir de casa devido ao surto de coronavírus. Neste caso, a poluição não será um indicador de actividade económica.






