A Polónia pretende construir uma nova comunidade económica na Europa Central e Oriental com a participação da Roménia e da Ucrânia, revelou o primeiro-ministro polaco, Mateusz Morawiecki, que criticou ainda os países ocidentais de “minar” a região durante muitos anos. Nas consultas intergovernamentais polaco-romenas em Bucareste, o responsável político sublinhou que a cooperação entre os dois países é fundamental para fazer com que a voz da região seja mais ouvida.
“Não podemos olhar para a União Europeia como quem deve ser ouvido e deve ter sempre as melhores soluções transportadas numa mala para Bucareste ou Varsóvia”, afirmou, em declarações à emissora pública ‘TVP’, elogiando o homólogo romeno pela prossecução de uma política que visa a coesão, sinergia e eficiência entre os dois países.
Segundo o primeiro-ministro, os países da região foram usados por países mais fortes no Ocidente e no Oriente, observando que, quando aquela zona da Europa fez a transição para o capitalismo após a queda do comunismo, o “Ocidente estava a usar-nos para os seus próprios objetivos”.
Morawiecki tem sido fonte frequente de críticas à União Europeia. Ainda a semana passada, expôs a sua visão sobre o futuro da Europa na Universidade de Heidelberg, na Alemanha, destacando o papel dos Estados-nação soberanos contra uma federação europeia. “Nada protegerá melhor a liberdade das nações, a sua cultura, a sua segurança social, económica, política e militar do que os Estados-nação”, apontou, acrescentado que “outros sistemas são ilusórios ou utópicos”.
Sugeriu ainda que a Polónia e a Roménia deveriam desenvolver uma cooperação triangular com a Ucrânia, o que ajudaria a aumentar os investimentos e os planos estratégicos militares para o futuro, permitindo a criação de uma “nova comunidade económica na Europa Central e Oriental”.
O comércio entre os dois países ascendeu, em 2022, a 11 mil milhões de euros, um aumento de 20% face ao ano anterior.




